O histórico recente de Blumenau ajuda a dimensionar a atenção para os próximos meses: em 2023, a cidade registrou o outubro mais chuvoso já observado, com 453,1 milímetros em 31 dias. O cenário volta ao centro do monitoramento com a previsão de que o El Niño intensifique as chuvas durante a primavera, principalmente em outubro e novembro.
Os modelos climáticos apontam entre 200 e 300 milímetros adicionais de chuva em Blumenau e região até novembro. Esse volume equivaleria, no bimestre, ao acumulado normalmente esperado para três meses. Ainda não é possível determinar quais serão os impactos da precipitação acima do normal.
A primavera começa oficialmente na noite desta terça-feira (22). Para Santa Catarina, o período é considerado o mais crítico de 2026 em relação à atuação do El Niño, que está formado e em fortalecimento. A estação já costuma ter mais chuva, e a presença do fenômeno pode elevar os acumulados.
Acompanhamento das condições
A equipe de meteorologia da Defesa Civil de Blumenau, por meio do AlertaBlu, acompanha as condições atmosféricas. A meteorologista Tatiane Martins afirma que a intensidade do El Niño, por si só, não determina a ocorrência de desastres ou eventos extremos.
“Estar em um El Niño muito forte não é sinônimo de desastre ou evento extremo”, reforça Tatiane. Ela recomenda atenção às previsões divulgadas por fontes oficiais.
De acordo com a meteorologista, o fenômeno favorece a formação de chuva no Sul do Brasil, mas a ocorrência de precipitações intensas depende da combinação com outros fatores. A transição do inverno para a primavera e o fortalecimento do El Niño também aumentam as incertezas. Os modelos meteorológicos apresentam maior confiabilidade em prazos de quatro a 10 dias antes de uma chuva extrema.
Intensidade prevista para o fenômeno
Os cientistas avaliam que o aquecimento das águas do Pacífico pode ultrapassar qualquer outro registrado desde 1950. A previsão é de patamares iguais ou superiores a 2,5ºC, acima dos mais de 2ºC já considerados.
A classificação do El Niño é feita conforme a elevação da temperatura em relação à média: fraco, de 0,5°C a 1,0°C; moderado, de 1,0°C a 1,5°C; forte, de 1,5°C a 2,0°C; e muito forte, acima de 2,0°C.
O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) explica que o El Niño ocorre quando aumenta a temperatura da superfície da água em uma área do Oceano Pacífico próxima ao Peru. O aquecimento favorece a evaporação, a formação de nuvens carregadas e a concentração de frentes frias na região Sul do Brasil.
O resfriamento dessas águas recebe o nome de La Niña. Em Santa Catarina, os efeitos são opostos aos do El Niño, com redução do volume de chuva.



