NOVA ANDRADINA — Um espaço particular de cuidado infantil suspendeu temporariamente as atividades após denúncias de supostos maus-tratos contra crianças. Os relatos foram apresentados por mães e por uma ex-funcionária e incluem agressões físicas, problemas de higiene, falta de estrutura para o descanso e uso de spray de vinagre no rosto como forma de punição.
As denúncias vieram a público nesta segunda-feira (21). O Conselho Tutelar informou que recebeu vários relatos na sexta-feira (18), por diferentes canais. O órgão acionou a Polícia Militar e foi até o local, que funciona em uma casa. Depois, encaminhou o caso à Polícia Civil, ao Ministério Público e ao Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (CMDCA).
A Polícia Militar confirmou a averiguação, mas informou que não encontrou irregularidades aparentes durante a visita. A Polícia Civil investiga o caso e orienta que outras famílias procurem a Delegacia de Polícia de Nova Andradina para prestar depoimento e apresentar fotos, vídeos ou outros registros.
Relatos de mães e ex-funcionária
Uma mãe afirmou que o filho, de 9 anos, teria sido agredido por outra criança em setembro de 2025. Ela guardou uma fotografia do menino com o olho roxo e disse que ele deixou de frequentar o espaço depois do episódio. Segundo o relato, crianças ficavam reunidas em um cômodo sem supervisão constante.
A filha mais nova da mulher continuou no local por um período, mas passou a voltar sonolenta e a chorar diante da fachada. A mãe também relatou problemas de higiene e banhos coletivos entre crianças de idades diferentes.
Outra mãe disse que a filha, hoje com 3 anos, apresentava machucados que inicialmente foram atribuídos a outras crianças. Depois, ela soube de um relato sobre supostas agressões e de um episódio em que a mão da menina teria sido fechada em uma porta.
A ex-funcionária afirmou que encontrou carrinhos com restos de comida e vômito, tatames sujos, banheiro sem higiene adequada e berços quebrados ou rasgados. Também disse que toalhas eram compartilhadas e que faltavam colchonetes, cobertores e travesseiros, fazendo com que algumas crianças dormissem no chão.
Ela relatou ainda que o spray de vinagre era borrifado no rosto de crianças, principalmente autistas, quando não dormiam. Também acusou a proprietária de agressões físicas, de obrigar crianças a comer e de deixá-las sozinhas em um quarto escuro. As acusações ainda serão investigadas pelas autoridades.
Espaço afirma que vai colaborar
A Prefeitura de Nova Andradina informou que o local é particular, não tem vínculo com a administração municipal e não integra a Rede Municipal de Ensino. Segundo o município, o serviço é contratado diretamente pelas famílias e não é uma unidade educacional.
Por meio do advogado Reinaldo Oliveira, a proprietária afirmou que está à disposição das autoridades. Em nota, o Espaço Tia Lu declarou que orienta suas atividades pelo respeito, cuidado e dignidade das crianças e informou que suspendeu o atendimento enquanto as providências são tomadas. O espaço não comentou os detalhes dos relatos para preservar a privacidade dos envolvidos.



