NOVA ANDRADINA — Documentos e materiais foram apreendidos durante uma operação em uma escola de educação infantil de Nova Andradina, a cerca de 300 quilômetros de Campo Grande. A ação investiga suspeitas de maus-tratos contra crianças e ocorreu nesta quarta-feira (30), com cumprimento de mandados autorizados pela Justiça.
A operação, denominada Amparo, foi coordenada pelo Centro de Investigação do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (CI/MPMS), por meio da Unidade de Apoio à Investigação. Participaram a 2ª e a 3ª Promotoria de Justiça de Nova Andradina, a Polícia Civil e a Polícia Militar.
Também por decisão judicial, as atividades do estabelecimento foram suspensas como medida de proteção às crianças. Os mandados foram expedidos pela Vara Criminal e pela Vara da Infância e da Juventude da Comarca de Nova Andradina, a partir de pedidos apresentados pelo Ministério Público e pela Polícia Civil.
Relatos que deram origem ao caso
A investigação começou após relatos de mães e de uma ex-funcionária. As informações mencionam possíveis agressões físicas, uso de spray de vinagre como punição e mudanças repentinas no comportamento dos alunos.
Mães afirmaram que os filhos retornaram para casa com marcas de machucados pelo corpo. A ex-funcionária também relatou problemas na estrutura destinada ao descanso, condições inadequadas nos banheiros e falhas de higiene, incluindo tatames sujos e berços quebrados.
O Conselho Tutelar foi acionado e encaminhou o caso ao Ministério Público, à Polícia Civil e ao Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (CMDCA). A Polícia Civil orientou pais, responsáveis e testemunhas que tenham fotos, vídeos ou informações sobre o local a procurar a delegacia da cidade para prestar depoimento.
Em nota divulgada por sua defesa, o Espaço Tia Lú informou que interrompeu temporariamente as atividades e que está à disposição das autoridades. A instituição declarou que atua com respeito e cuidado com os alunos e que não comentará detalhes enquanto a investigação estiver em andamento, para preservar os envolvidos.
A Prefeitura de Nova Andradina afirmou que a escola é privada, não tem vínculo com a administração pública nem com a Rede Municipal de Ensino, e que a contratação é feita diretamente pelas famílias. O MPMS informou que os materiais recolhidos serão utilizados no inquérito, que continua em andamento.



