A Polícia Civil investiga a denúncia de que uma mulher teria sido abusada sexualmente pelo próprio pai durante 17 anos. Aos policiais, a jovem, hoje com 29 anos, relatou que era ameaçada de morte caso denunciasse o homem. Segundo ela, ele dizia que seria solto depois de uma eventual prisão e a mataria.
A mulher é mãe de quatro crianças, com idades entre 1 e 11 anos. A polícia suspeita que os filhos sejam fruto dos abusos, mas aguarda exames de DNA para confirmar a paternidade. Conforme a delegada Aline Lopes, da Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA), o resultado dos testes deve sair em um mês.
O suspeito negou o crime, recusou-se a fornecer material biológico e não quis prestar declarações à polícia. Ele afirmou apenas que falará à Justiça.
Os abusos teriam começado quando a jovem tinha 12 anos, em Barro Alto. Depois de o homem deixar a prisão por outro crime, ele teria ido até a cidade onde ela morava e a levado para Anápolis. Naquele período, ela tinha apenas o filho mais velho, conforme o conselheiro tutelar Lídio José de Jesus, que acompanhou o caso com a Polícia Civil.
A família vivia em situação de vulnerabilidade social e dependia exclusivamente da renda do suspeito, que trabalhava como caseiro em uma chácara onde funcionava uma casa de eventos, em Anápolis. Ainda segundo Lídio, o homem não permitia que a jovem saísse de casa e levava e buscava as duas crianças mais velhas na escola.
A mãe da jovem teria deixado a residência muitos anos atrás, após sofrer violência doméstica. De acordo com o relato apresentado à polícia, ela teria descoberto o primeiro abuso e saído de casa por causa dessa situação e de outras agressões.
A Polícia Civil informou que a jovem só conseguiu falar sobre os abusos depois que o pai foi preso por outro crime. Lídio afirmou que tem acompanhado o aumento de atendimentos relacionados a abusos cometidos por familiares.



