SANTOS — A Lei Municipal nº 4.032 reconheceu o pão de cará e os conhecimentos ligados à sua produção como patrimônio cultural imaterial de Santos. Sancionada em 7 de junho de 2022, a norma também determina que o registro considere a continuidade histórica do produto e sua importância para a memória, a identidade e a formação da sociedade santista.
O reconhecimento abrange mais do que o alimento pronto. Estão incluídos os saberes, as receitas e os modos de fazer, além das práticas de preparar, vender, consumir e transmitir a tradição entre diferentes gerações.
Uma receita ligada à falta de trigo
A história do pão de cará remonta ao início do século 20. Conforme registros da Prefeitura de Santos, o cará, um tipo de tubérculo, era usado na produção de pães em um período no qual a farinha de trigo importada era escassa ou tinha custo elevado.
O ingrediente passou a fazer parte da receita e deu nome ao pão que, com o tempo, se tornou um dos produtos associados à cidade. A preparação ganhou espaço nas casas e nas padarias santistas. Na década de 1960, o pão de cará também passou a integrar a merenda escolar, contribuindo para sua popularização.
O que permanece na tradição
A massa macia e o sabor característico estão entre os aspectos lembrados pelos santistas. O pão é consumido no café da manhã, no lanche da tarde e em outras refeições, mantendo presença na rotina de gerações.
Apesar do nome, a maior parte dos pães de cará vendidos atualmente não leva o tubérculo. A denominação permaneceu por causa da tradição e da memória formada em torno do produto. Alguns estabelecimentos voltaram a produzir versões com cará, buscando recuperar características da receita original.
A mudança na composição ao longo do tempo não eliminou o valor cultural atribuído ao alimento. Para a legislação municipal, a preservação também envolve os conhecimentos e as práticas que sustentam a continuidade dessa tradição em Santos.



