CANADÁ — Aos 18 anos, Terry Fox recebeu o diagnóstico de osteossarcoma, um câncer que atingiu sua perna direita. A doença levou à amputação até a metade da coxa e mudou os planos do estudante de cinesiologia, que pretendia trabalhar como professor de educação física.
A cirurgia, porém, não encerrou sua relação com o esporte. Durante os 16 meses seguintes, Fox enfrentou tratamentos, conviveu com outros pacientes e se adaptou à nova condição física. Com uma prótese esportiva de aço e fibra de vidro, voltou a treinar e começou a transformar a própria experiência em uma causa pública.
A Maratona da Esperança
Nascido em 1958, Fox havia crescido praticando basquete, atletismo, rugby e luta. Na universidade, estudava o movimento humano e queria ajudar jovens a encontrar no esporte a disciplina que fazia parte de sua vida.
Em 1977, depois do diagnóstico, esse caminho mudou. Durante a recuperação, ele formulou a ideia de atravessar o Canadá correndo, do Oceano Atlântico ao Pacífico, para arrecadar dinheiro para pesquisas contra o câncer.
A jornada começou em 12 de abril de 1980, quando Fox tinha 21 anos. Em St. John’s, na costa leste canadense, ele mergulhou simbolicamente a prótese no Atlântico antes de iniciar o percurso. A meta era correr cerca de 42 quilômetros por dia, distância equivalente a uma maratona. A Terry Fox Foundation registra que o trajeto planejado teria 5.373 quilômetros, realizados em 143 dias.
Doug, melhor amigo de Fox, acompanhou boa parte da viagem de carro e registrou momentos do percurso. O atleta também pretendia arrecadar ao menos um dólar canadense por habitante do país para financiar pesquisas contra o câncer.
No início, a passagem de Fox despertava pouca atenção. Com o avanço da corrida, a imprensa e o público passaram a acompanhar a iniciativa, enquanto as doações aumentavam. Moradores se reuniam em várias cidades para vê-lo passar. Ao longo da Maratona da Esperança, ele passou por mais de 400 cidades, escolas e comunidades.
O fim da jornada
Durante a passagem por Thunder Bay, Fox começou a sentir dores intensas no peito. Depois de tentar descansar, pediu ajuda a Doug e foi levado ao hospital. Os exames mostraram que o câncer havia retornado e alcançado seus pulmões.
Em 1º de setembro de 1980, ele encerrou a Maratona da Esperança antes de chegar ao Pacífico. Até então, havia corrido por 143 dias e percorrido mais da metade do território que pretendia atravessar.
Terry Fox morreu em 28 de junho de 1981, aos 22 anos. A interrupção da corrida, no entanto, não encerrou a mobilização criada por ele. A Terry Fox Foundation passou a preservar e ampliar o projeto, associado à arrecadação de recursos para pesquisas contra o câncer.
Décadas depois, corridas realizadas em diferentes países continuaram a levar o nome de Fox. As iniciativas reúnem participantes em torno do objetivo de transformar os quilômetros percorridos em recursos para a pesquisa.
Fox não concluiu a travessia planejada, mas sua experiência alcançou pacientes, comunidades e instituições envolvidas com a causa. A corrida terminou na estrada; o projeto criado por ele continuou.



