CAMPO GRANDE — Moradores de diferentes regiões de Campo Grande relatam prejuízos e permanecem sem energia elétrica dois dias após o temporal que atingiu a cidade. Há famílias com mais de 40 horas sem luz, alimentos estragando em geladeiras e comerciantes que perderam parte da produção por falta de refrigeração.
Na Vila Nasser, um morador afirmou estar sem energia havia cerca de 38 horas. No Jardim das Virtudes, uma família passou a usar sacos de gelo no congelador para tentar conservar carnes e outros alimentos. A moradora disse que parte dos produtos já foi retirada da geladeira para evitar novas perdas.
Adriana Dias procurou ajuda para a filha e o genro, donos de uma loja de marmitas congeladas. O estabelecimento está há dois dias sem energia, e a família afirma que a produção começou a se perder. Além do prejuízo com os alimentos, o casal teme perder renda.
Na Rua Brilhante, uma árvore caiu durante a tempestade e danificou um poste. A queda deixou a estrutura atravessada na rua e cabos espalhados pela via. Andreia Peres afirmou que a Agetran esteve no local e interditou a rua, mas os moradores ainda aguardavam o conserto da rede elétrica. Segundo ela, a área estava sem energia havia três dias, afetando também comerciantes. Um restaurante próximo precisou fechar.
Na Rua Catigua, Paulo Coelho Machado relatou que um fio continuava caído havia mais de 40 horas, apesar dos chamados feitos à concessionária. Ele disse que a situação oferecia risco a quem passava pelo local.
Paciente dependia de equipamentos elétricos
Margiane Reis contou que o marido, Alessandro Moreira dos Reis, de 50 anos, está acamado há 12 anos e usa respirador, inalador, aspirador, oxigênio, bomba de infusão, oxímetro e colchão pneumático. Um frigobar armazena dieta enteral e medicamentos.
Depois da interrupção, uma enfermeira conseguiu uma extensão ligada a uma casa que ainda tinha eletricidade. Foram usados cerca de 100 metros de cabo para levar energia até o imóvel. A família informou que uma equipe fez o reparo por volta das 22h30, depois que o caso ganhou repercussão nas redes sociais.
Orientação para buscar ressarcimento
Larissa Brandão, presidente da Comissão de Defesa do Consumidor da OAB/MS, orienta quem teve prejuízos a reunir provas. O consumidor deve registrar a reclamação, guardar o número do protocolo e informar desde quando o imóvel está sem fornecimento.
Também é recomendado listar alimentos, aparelhos e outros itens perdidos ou danificados, além de guardar fotos, vídeos, notas fiscais e comprovantes de pagamento, quando houver. A falta de nota fiscal ou comprovante não elimina automaticamente o direito de pedir ressarcimento.
A advogada afirma que um registro da falta de energia é suficiente. Depois de identificar os prejuízos, o consumidor deve fazer uma segunda ocorrência, detalhando os itens perdidos ou danificados. Se o pedido for negado, pode procurar órgãos de defesa do consumidor, como o Procon, e buscar orientação jurídica.
A Energisa informou que trabalha na recuperação dos danos provocados pela tempestade ocorrida no fim da tarde de quinta-feira (10). Segundo a empresa, até as 18h, 91% dos clientes afetados já tinham o fornecimento restabelecido. As equipes continuavam mobilizadas, inclusive durante a madrugada, e um novo boletim seria divulgado conforme houvesse atualizações.



