CAMPO GRANDE — Um Opala Luxo 1977 foi encontrado abandonado pela Polícia Militar após desaparecer por mais de um mês. O veículo havia sido entregue para reparos mecânicos, e o proprietário, Nilson da Silva, de 73 anos, afirma ter pago R$ 15,3 mil por peças e serviços que não teriam sido realizados. A Polícia Civil investiga o caso como estelionato.
O carro foi localizado horas depois da publicação de informações sobre o desaparecimento, nesta terça-feira (30). O caso foi registrado em 15 de setembro na 2ª Delegacia de Polícia de Campo Grande. No boletim de ocorrência, a autoria aparece como “a apurar”.
Entrega do carro e pagamentos
Nilson contou que, em 25 de agosto, buscava resolver um problema elétrico no Opala quando um conhecido indicou um homem para fazer o serviço. O suspeito foi até a casa do aposentado, avaliou o veículo e disse que seria necessário levá-lo a uma oficina.
O proprietário comprou uma bateria por cerca de R$ 820 e pagou R$ 170 pelo guincho. O automóvel foi transportado até um endereço no bairro Santa Luzia. Nilson estranhou não encontrar uma oficina no local, mas recebeu a explicação de que o estabelecimento ficava em outra parte do imóvel.
Cerca de três dias depois, começaram as cobranças por supostas peças e serviços. Segundo o aposentado, foram pedidos R$ 2,2 mil, R$ 1,4 mil, mais de R$ 3 mil e outros valores. Em 8 de setembro, ele entregou mais R$ 5,1 mil ao homem, totalizando R$ 15,3 mil.
Nos dias seguintes, ainda houve contato. O homem informou que estava em Miranda, onde trabalhava com máquinas em uma fazenda, e que voltaria a Campo Grande. Por volta dos dias 11 e 12 de setembro, porém, deixou de responder e teria bloqueado Nilson. Ao procurar o endereço, o aposentado encontrou o imóvel fechado e descobriu que o Opala não estava mais lá.
“Levou meu dinheiro, levou o carro. Nunca mais vi o carro até hoje.”
Carro era mantido na garagem
Nilson foi caminhoneiro, motorista de caminhão e guincheiro. Aposentado aos 52 anos, chegou a reunir 11 carros antigos. O Opala havia sido comprado cerca de três anos antes, após uma negociação com outro colecionador. O veículo veio de Mato Grosso para Campo Grande em uma cegonha, junto com um Jeep e um Fusca.
O aposentado afirma ter pago R$ 40 mil pelo carro e diz que não o venderia nem por R$ 80 mil. Em três anos, rodou menos de 100 quilômetros com o veículo, que recebia cuidados pessoais de Nilson na garagem.
O Opala é verde-esmeralda perolizado, tem duas portas e quatro rodas SS. Nilson também o descreve como um modelo “rabo de peixe”. Desde o desaparecimento, afirma que perdeu o sono e a vontade de comer. Ele mora sozinho há mais de 30 anos e diz que o episódio afetou sua rotina.
Mesmo com o veículo localizado, as informações disponíveis não indicam em quais condições ele foi encontrado. Nilson afirma que pretende buscá-lo e, se não for possível voltar dirigindo, pagará um guincho para levá-lo de volta ao espaço onde o carro ficava.



