FLORIANÓPOLIS — A queda de um helicóptero em Urubici, na Serra catarinense, que matou o cantor sertanejo Rick, o empresário Bruno Avelar e mais três ocupantes, integra um histórico de tragédias aéreas relacionadas a Santa Catarina. Entre os casos estão acidentes ocorridos no Estado e episódios fora dele que envolveram catarinenses.
Tragédias em Santa Catarina
Em 6 de junho de 1949, um avião da Força Aérea Brasileira (FAB) colidiu contra uma rocha do Morro do Cambirela, em Palhoça, na Grande Florianópolis. A aeronave havia saído do Rio de Janeiro com destino a Uruguaiana, no Rio Grande do Sul, e levava 22 passageiros e seis tripulantes. Todos morreram, totalizando 28 vítimas. Na época, o caso foi considerado o maior acidente aéreo do país.
Moradores e indígenas que viviam na região relataram ter visto o avião voando baixo e ouvido um barulho semelhante a um trovão. O resgate dos corpos demorou três dias. A divulgação ocorreu por emissoras de rádio, já que a televisão só foi inaugurada no país no ano seguinte, em 1950.
Em 12 de abril de 1980, o voo 303 da Transbrasil caiu durante a aproximação ao Aeroporto Hercílio Luz, em Florianópolis. O Boeing 727 havia decolado do Aeroporto de Congonhas, em São Paulo, às 19h55min, com destino inicial à capital catarinense e posterior prosseguimento até Porto Alegre. Havia 58 pessoas a bordo.
A tripulação enfrentou chuva forte, granizo, turbulência e descargas elétricas. Durante uma curva prevista no procedimento, o avião teria voado acima da velocidade indicada e permanecido na manobra por mais tempo do que o previsto. A aeronave atingiu o Morro da Virgínia, na região de Ratones. Cinquenta e cinco ocupantes morreram e três sobreviveram. “Se ele tivesse somente 30 metros mais alto, teria passado por cima do morro, provavelmente concluído a viagem”, explicou Lito Sousa.
Em 8 de março de 2018, a queda de um helicóptero no Norte de Santa Catarina matou três pessoas. Segundo a Polícia Civil, a aeronave teria sido sequestrada por criminosos para resgatar um detento prestes a ser transferido para uma unidade de segurança máxima. O helicóptero caiu a dois quilômetros do Presídio Regional de Joinville. Um revólver e uma pistola foram encontrados nos destroços.
A aeronave havia decolado de Penha e teria sido contratada para um sobrevoo em Joinville. O piloto, o copiloto e um passageiro morreram no local. Outro passageiro, que estava no regime semiaberto, sobreviveu e foi detido.
Em 5 de junho de 2024, um avião bimotor com capacidade para seis pessoas caiu em uma área de mata fechada entre Garuva e Itapoá. A aeronave partiu de Governador Valadares com destino a Florianópolis. O piloto e um engenheiro que era ex-diretor da empresa Odebrecht morreram.
Casos fora do Estado
Em 1958, a queda de um avião em São José dos Pinhais, no Paraná, matou Nereu Ramos, único catarinense a ocupar a Presidência da República, e Jorge Lacerda, então governador de Santa Catarina. Leoberto Leal, deputado federal por Santa Catarina, também morreu.
O avião da extinta Cruzeiro do Sul havia saído de Porto Alegre e seguia para o Rio de Janeiro, então capital do país. Antes, fez uma parada em Florianópolis, onde embarcaram políticos de Santa Catarina. A queda ocorreu durante o sobrevoo para pouso no Aeroporto Afonso Pena.
A tragédia do voo da Chapecoense ocorreu em 2016 e matou 71 pessoas, entre integrantes da delegação do clube, profissionais de imprensa e tripulantes. O avião da empresa LaMia levava a equipe para a final da Copa Sul-Americana e caiu perto do aeroporto de Rionegro, antes de chegar a Medellín, na Colômbia. As investigações apontaram esgotamento total de combustível como causa da queda. Seis pessoas sobreviveram.
Em abril de 2022, um avião catarinense desapareceu na Argentina com três brasileiros a bordo. Entre eles estavam um empresário de Florianópolis, um médico e um advogado. A aeronave saiu de El Calafate, na província de Santa Cruz, com destino a Trelew, também na Argentina, e sumiu dos radares.
Policiais identificaram que o avião havia caído no mar. Mergulhadores e submarinos participaram das buscas, mas o local foi considerado inóspito. Desde então, não surgiram novos vestígios que motivassem novas operações.



