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Crise institucional tira propostas do centro do debate eleitoral, dizem entidades

Entidades afirmam que disputas entre ministros do STF desviaram a atenção de temas como educação, ciência, clima e desenvolvimento nacional.

Crise institucional tira propostas do centro do debate eleitoral, dizem entidades
Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

A crise político-institucional passou a ocupar o centro da agenda eleitoral a menos de um mês do primeiro turno das eleições de 2026, segundo representantes de entidades da sociedade civil. Para eles, as disputas entre ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), que envolveram outras instituições, reduziram o espaço para propostas de campanha e para a discussão de problemas estruturais do país.

A presidenta da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), Samira de Castro, afirmou que o debate eleitoral perdeu espaço diante da atenção concentrada na crise do Poder Judiciário. A presidenta da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), Francilene Garcia, disse que temas como ciência, orçamento previsível e desenvolvimento nacional deveriam estar associados à discussão sobre a integridade das instituições.

Os representantes ouvidos também defenderam a apuração das suspeitas de envolvimento de autoridades com Daniel Vorcaro, dono do antigo Banco Master. As suspeitas surgiram nos desdobramentos da Operação Compliance Zero, cuja primeira fase foi deflagrada em novembro de 2025 pela Polícia Federal (PF). A avaliação é de que a investigação deve avançar sem retirar do debate as propostas dos candidatos aos cargos executivos e legislativos, que serão disputados em 4 de outubro.

Temas considerados prioritários

Para Daniel Cara, coordenador honorário da Campanha Nacional pelo Direito à Educação, as eleições de 2026 ocorrem em um período de reorganização produtiva e conflitos internacionais. Ele citou como temas deixados em segundo plano o desenvolvimento econômico, a soberania nacional e uma agenda que reúna defesa, educação, ciência e tecnologia.

A presidenta do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap), Rita Serrano, listou como prioridades da classe trabalhadora o fim da escala 6×1, a geração de emprego e renda e a regulamentação da negociação coletiva no setor público. Ela também mencionou a segurança pública e o aproveitamento de minerais críticos e estratégicos. A regulamentação é tratada no Projeto de Lei 1.893/2026.

Segundo Rita, as centrais sindicais atuavam no Congresso para apoiar o fim da escala 6×1 e mudanças nas relações de trabalho e na representação sindical no setor público. Ela afirmou que, até o fim de agosto, essas pautas avançavam, mas perderam espaço com o agravamento da crise institucional.

As mudanças climáticas foram apontadas como outro tema que deveria ocupar a agenda eleitoral. Márcio Astrini, secretário executivo do Observatório do Clima, citou a seca na Amazônia, as enchentes no Sul do país e os impactos sobre o orçamento público, a reconstrução de cidades e as safras. Ele também afirmou que poucos candidatos colocam a crise climática entre suas principais preocupações.

Minerais e direitos indígenas

Os entrevistados destacaram ainda a relevância dos minerais críticos e das terras raras para o desenvolvimento econômico, tecnológico e científico e para a soberania nacional. O projeto que cria a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos foi aprovado e encaminhado para sanção presidencial.

Organizações indígenas defendem que a exploração desses recursos tenha salvaguardas socioambientais e respeite a consulta prévia prevista na Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT). Alcebias Constantino, coordenador executivo da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), afirmou que o tema está ligado à demarcação e à proteção dos territórios tradicionais.

Para fortalecer a representação indígena nos espaços de decisão, o movimento lançou e apoiou 56 candidatos: 33 para deputado estadual, 19 para deputado federal, dois para senador, um para governador e um para suplência do Senado.

Constantino disse que a crise institucional gera instabilidade, mas não interrompeu a mobilização indígena. Segundo ele, o movimento mantém as estratégias e as ações voltadas à defesa de territórios e direitos, diante de ataques considerados constantes.

Texto produzido pela Redação Caderno do Saber com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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