SÃO PAULO — O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino retirou, neste domingo, o sigilo da investigação sobre o filme Dark Horse, que retrata o ex-presidente Jair Bolsonaro. Na decisão, ele afirmou que a apuração reforça a hipótese de um esquema de destinação e desvio de recursos públicos envolvendo emendas parlamentares federais e a Prefeitura de São Paulo.
Dino também mencionou possíveis vínculos da organização investigada com o Primeiro Comando da Capital (PCC). O despacho cita repetidamente o deputado federal Mário Frias (PL-SP), roteirista e produtor-executivo do filme. Para os investigadores, o parlamentar teria papel de liderança na suposta estrutura criminosa. Frias foi alvo de busca e apreensão da Polícia Federal na última quinta-feira, 10, e nega irregularidades.
Determinações à Polícia Federal
Ao analisar documentos encaminhados pela Vara Estadual das Garantias de Organizações Criminosas e Lavagem de Bens, Direitos e Valores do Foro Central Criminal Barra Funda — Comarca de São Paulo, o ministro reconheceu a conexão entre os procedimentos e afirmou que as investigações devem ser publicizadas. No despacho, ele também citou decisão do ministro André Mendonça que retirou o sigilo de procedimentos relacionados ao Banco Master, após solicitação do presidente do STF, Edson Fachin.
A Secretaria de Segurança do Estado de São Paulo deverá entregar à Polícia Federal o material bruto extraído de celulares de pessoas físicas e jurídicas investigadas. Dino determinou ainda que celulares, computadores e documentos sejam transferidos para a custódia da corporação. O diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, deverá adotar as providências necessárias junto às autoridades estaduais para o cumprimento imediato.
Apurações sobre o filme
A investigação apura o possível uso de dinheiro do Banco Master para financiar Dark Horse. Um dos procedimentos examina um contrato de R$ 108 milhões entre a Prefeitura de São Paulo e o Instituto Conhecer Brasil (ICB), destinado à instalação de pontos de Wifi na periferia da capital. Karina Gama, sócia da GoUp, representa a entidade.
O outro inquérito trata de emendas parlamentares enviadas por deputados federais ao ICB. A suspeita é que os recursos tenham chegado à GoUp por meio de uma triangulação com empresas intermediárias. Na quinta-feira, 49 mandados de busca e apreensão foram cumpridos. A apuração, antes conduzida pela Polícia Civil de São Paulo, passou a tramitar com Dino.



