RIO DE JANEIRO — A Prefeitura vai desapropriar três imóveis no Cosme Velho após o desabamento parcial de um casarão neste sábado. Estão na lista o prédio atingido, a Casa Portinari e o Solar dos Abacaxis. O prefeito Eduardo Cavaliere afirmou que os atos serão publicados no Diário Oficial na próxima segunda-feira.
Segundo Cavaliere, a intenção é dar novos usos aos imóveis depois da desapropriação. Ele disse que os bens poderão ser colocados à venda em leilão público. “É papel da Prefeitura intervir, desapropriar e colocar à venda, a leilão público, para que tenha um novo destino, um novo uso para a população”, declarou.
Desabamento deixou duas feridas
O imóvel desabou parcialmente na manhã deste sábado, na altura do número 315 da Rua Cosme Velho, na Zona Sul do Rio. De acordo com o Corpo de Bombeiros, o segundo pavimento não resistiu. Parte do imóvel vizinho também foi atingida.
Uma mulher de 43 anos e a filha, de 2, foram atingidas por destroços enquanto passavam por um corredor de acesso à vila onde moram, ao lado do casarão. As duas foram classificadas como vítimas amarelas, de gravidade moderada, e levadas ao Hospital Municipal Miguel Couto, na Gávea. O estado de saúde delas é estável.
A Defesa Civil Municipal foi acionada para avaliar as condições da estrutura e a segurança do local. Equipes do quartel do Catete atuam na ocorrência, com apoio de agentes da CET-Rio, da Guarda Municipal, da Defesa Civil e da Subprefeitura.
A via está parcialmente interditada no sentido Laranjeiras, nas proximidades do Colégio São Vicente de Paulo, segundo o Centro de Operações Rio. O trânsito segue em esquema de pare e siga, com retenção nos dois sentidos. Ainda não há informações oficiais sobre as causas do desabamento ou sobre a estrutura atingida.
Imóveis históricos
Moradores do Cosme Velho já haviam alertado para a deterioração de imóveis históricos do bairro. Em abril de 2025, foram registradas condições de conservação consideradas preocupantes em casarões da região, incluindo o imóvel onde viveu o pintor Candido Portinari, no número 353 da Rua Cosme Velho.
Uma associação de moradores havia mapeado outros casarões e entregue ao poder público um relatório de diagnóstico de risco. O documento citava infiltrações, desprendimento de revestimentos das fachadas, esquadrias danificadas e telhados com risco de ruir. Entre os imóveis mencionados estavam construções nos números 362 e 370 da Rua Cosme Velho, além da Casa Portinari e do Solar dos Abacaxis.



