RIO DE JANEIRO — Chefes de equipes responsáveis por ataques a territórios rivais recebem o direito de explorar pontos de venda de drogas em comunidades conquistadas ou já controladas pelo Comando Vermelho (CV). A informação consta de um inquérito da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas e de Inquéritos Especiais (Draco-IE), que identificou os chamados puxadores de guerra da facção.
A investigação aponta que esses grupos são distribuídos por áreas e respondem a integrantes da cúpula do CV, como Edgar Alves de Andrade, o Doca, e Carlos da Costa Neves, o Gardenal. Entre os chefes identificados estão Rubens Mateus Lisboa Ribeiro, o Astro; Rodney Lima de Freitas, conhecido como RD ou Gaguinho; Bruno Silva Souza, o Tiriça; e Juan Breno Malta Ramos Rodrigues, o BMW.
De acordo com o delegado Jefferson Ferreira, da Draco, os responsáveis pelas invasões passam a controlar o território depois da tomada e podem administrar bocas de fumo. Astro, por exemplo, estaria à frente de pontos em Curicica, na Gardênia Azul e na Cidade de Deus, em Jacarepaguá.
Áreas de atuação
Rodney é apontado como chefe do Bonde dos Crias e, conforme dados do Conselho Nacional de Justiça, tem sete mandados de prisão. Sua área inclui a Vila Kennedy, já dominada pelo CV, além de comunidades de Campo Grande, Guaratiba e Santa Cruz, onde há territórios controlados pela milícia.
Em 27 de julho, 11 homens ligados a RD foram registrados por uma câmera de segurança enquanto atravessavam uma cerca e um portão de arame farpado em uma área rural de Guaratiba. O grupo usava roupas camufladas e carregava fuzis. A suspeita é que pretendesse chegar a localidades controladas por paramilitares entre o Largo do Correia e a Cachamorra. Acionada, a Polícia Militar não conseguiu prender os homens.
Tiriça participou da tomada da favela da Chacrinha, antes controlada pela milícia. Ele tem oito mandados de prisão e, até o início de 2026, atuou na disputa por áreas das Vargens, no Recreio dos Bandeirantes, contra o Terceiro Comando Puro (TCP).
Mais recentemente, recebeu a incumbência de defender Tinta e Dourados, na Penha. As comunidades ficam próximas do Complexo de Israel, controlado por Álvaro Malaquias Santa Rosa, o Peixão, chefe do TCP. Em um áudio divulgado nas redes sociais, Tiriça afirma: “A gestão mudou. Agora, quem responde pela firma é o Tiriça, o Doca”.
Ataques e crimes atribuídos
BMW é apontado como chefe da Equipe Sombra, grupo associado a assassinatos de rivais na Praça Seca e em Jacarepaguá. Em 2023, integrantes da equipe mataram a tiros três médicos em um quiosque da Barra da Tijuca. Uma das vítimas teria sido confundida com um miliciano. BMW, descrito pela polícia como homem de confiança de Doca, tem 16 mandados de prisão.
Astro, que tem prisão decretada pela Justiça, é associado a comunidades de Curicica, como Camorim e Asa Branca, mas costuma permanecer na Gardênia Azul. Pierre Sá da Silva, o PQD, apontado como outro chefe da Astro, morreu em troca de tiros com policiais na comunidade em 18 de agosto.
A Draco também atribui a Astro o comando de roubos de veículos na Barra da Tijuca e em Jacarepaguá. Em 20 de janeiro, uma tentativa de roubo terminou com cinco pessoas baleadas. Segundo a polícia, integrantes do grupo haviam roubado dois carros e tentaram levar o veículo de um policial. O agente, a mulher dele e um suspeito ficaram feridos, enquanto os demais envolvidos fugiram.



