FLORIANÓPOLIS — Cerca de 100 mil pacientes aguardam uma cirurgia pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em Santa Catarina. Em Florianópolis, as filas para exames também têm prazos prolongados: há casos com previsão de atendimento em 2032 e 2034, de acordo com informações da prefeitura.
Um dos pacientes espera pela retirada de uma hérnia. Ele ocupa a 51ª posição da fila, com previsão de atendimento superior a 300 dias. A dor limita a locomoção e faz com que ele conte com a ajuda da filha para sair de casa. O aposentado também já passou por um transplante de rim, mas essa informação não aparecia no cadastro usado pela regulação. Após o caso ser identificado, o governo do Estado pediu ao município onde ele mora a atualização dos dados.
“Quando dói, eu fico com medo, porque não sei se é a hernia ou o rim”, relatou Carlos Alberto.
Espera por exames em Florianópolis
Lenir da Silva Martins, de 73 anos, aguarda uma colonoscopia devido a sangramentos frequentes. O caso foi classificado como urgente pela regulação, mas a previsão de atendimento está para março de 2026. A gestão da fila de exames é feita pelo município.
Luiza Morassuti, também moradora de Florianópolis, espera por uma tomografia após enfrentar complicações abdominais. No sistema da prefeitura, o exame aparece com previsão para 2032.
A prefeitura informa que 8.029 pessoas aguardam uma colonoscopia, 19.369 esperam por uma ressonância e 9.611 estão na fila da tomografia. Para a última pessoa da fila, a previsão apresentada chega a 2034.
O defensor público Tiago Queiroz da Costa afirma que prazos extensos podem comprometer a utilidade dos exames e diz que, em alguns casos, pacientes recorrem à Justiça para conseguir atendimento.
Gestores afirmam que prazos são estimativas
Fabricio Menegon, professor do departamento de Saúde Pública da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), explica que o Estado administra a fila de cirurgias, enquanto o município é responsável pela gestão dos exames. Para ele, é necessário ampliar a capacidade dos centros cirúrgicos e melhorar as contratações da rede conveniada.
O secretário de Saúde de Florianópolis, Almir Adir Gentil, afirma que as datas exibidas no painel são projeções calculadas por um algoritmo, e não previsões definitivas. Segundo ele, a inauguração do Multihospital da Capital pode contribuir para reduzir as filas. O secretário também reconhece que a classificação da gravidade dos casos pode apresentar falhas e orienta os pacientes a retornar ao médico se os sintomas piorarem.
O secretário de Saúde do Estado, Diogo Demarchi Silva, também diz que os prazos são estimativas e podem refletir uma série histórica, sem representar a situação atual. “O que a gente pode de imediato é lamentar e é nossa responsabilidade resolver”, declarou.
A Secretaria de Estado da Saúde informou que a condição de transplantado de rim de Carlos Alberto não constava no sistema nacional de regulação. Uma consulta foi marcada para 30 de outubro. O Estado registrou 152 mil cirurgias em 2024.
Sobre as outras duas pacientes, a prefeitura de Florianópolis afirma que as datas exibidas no painel público não incluem mutirões e outras ações destinadas a reduzir as filas. Os casos foram revisados: um passou a ter previsão para o próximo mês, e o novo prazo do outro não foi informado. A Secretaria também disse que as equipes estão em contato com os pacientes e orientou a atualização dos dados clínicos nos centros de saúde dos bairros.



