Goiás registrou 7.056 notificações de sífilis entre janeiro e agosto de 2026, conforme dados da Secretaria de Estado da Saúde de Goiás (SES-GO). O número é 12,8% menor que o registrado no mesmo período de 2025, quando foram contabilizados 8.095 casos, mas supera em 6,5% o total de janeiro a agosto de 2024, que teve 6.627 ocorrências.
Os dados de 2026 são parciais e ainda podem ser alterados. O acompanhamento é feito pelo Hospital Estadual de Doenças Tropicais Dr. Anuar Auad (HDT), que reforça a importância da prevenção, da testagem e do diagnóstico precoce.
Diagnóstico e sintomas
A sífilis é uma infecção bacteriana com tratamento e cura, mas pode não apresentar sinais perceptíveis. Na fase primária, uma manifestação comum é uma lesão única, geralmente indolor e ulcerada, que pode surgir nos órgãos genitais, na boca ou na língua.
Como essa lesão pode desaparecer espontaneamente, a pessoa pode acreditar que não há mais problema e deixar de procurar atendimento. “É possível ter sífilis e não apresentar sintomas”, alerta o médico infectologista do HDT, Dr. Taiguara Fraga.
A testagem é recomendada mesmo quando não há sintomas, especialmente para pessoas que tiveram relações sexuais sem preservativo. Taiguara orienta que esse público procure uma unidade de saúde para fazer exames de infecções sexualmente transmissíveis (ISTs).
Faixas etárias e prevenção
Entre 2024 e agosto de 2026, pessoas de 20 a 29 anos concentraram o maior número de notificações, com cerca de 11 mil registros. A faixa de 30 a 39 anos aparece na sequência, com 7.172 notificações no período.
Do total de pacientes registrados, 63,1% das notificações são de homens e 36,5% de mulheres. Para o infectologista, os números também devem ser avaliados levando em conta a capacidade de diagnóstico. “Quanto mais pessoas são diagnosticadas, maior a chance de tratamento e diminuição da transmissão da sífilis”, explica.
O tratamento é oferecido gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A penicilina é o principal medicamento utilizado. Sem tratamento adequado, a infecção pode evoluir para complicações neurológicas, oculares, cardiovasculares e ósseas.
A sífilis também pode ser transmitida da mãe para o bebê durante a gestação. A forma congênita pode aumentar o risco de aborto e causar outras complicações durante a gestação e após o nascimento. Mulheres que planejam engravidar devem fazer o teste antes da gestação, e a testagem deve ser repetida no pré-natal conforme a orientação dos profissionais de saúde. Se a infecção for identificada, o tratamento deve começar imediatamente.
O tratamento não gera imunidade permanente. Por isso, quem já teve sífilis pode ser infectado novamente e deve manter o uso de preservativo e a realização periódica de testes. O acompanhamento e, quando indicado, o tratamento dos parceiros sexuais também ajudam a evitar novas infecções e interromper a transmissão.




