SÃO PAULO — A infraestrutura de nuvem do Google Cloud no Brasil deverá ser ampliada até 2030, com mais capacidade para processar e armazenar dados e executar aplicações de inteligência artificial de alto desempenho. O plano foi anunciado nesta quinta-feira (24), durante o Google Cloud Summit, em São Paulo.
Eduardo López, CEO do Google Cloud na América Latina, afirmou que a expansão terá dimensão semelhante ao período de construção da estrutura existente. A empresa levou 9 anos para formar a capacidade atual na região. O valor do novo investimento não foi divulgado.
Em 2022, o Google havia anunciado um compromisso de US$ 1,2 bilhão para cinco anos na América Latina, com vigência até 2027. O pacote reunia iniciativas de infraestrutura digital, capacitação, empreendedorismo e ações sociais.
Processamento local e novos equipamentos
A estratégia acompanha a expansão dos serviços de nuvem na América do Sul e a adoção do Gemini Enterprise, plataforma de inteligência artificial voltada a empresas. O foco está nos agentes de IA, capazes de realizar tarefas e etapas de processos a partir de instruções e dados corporativos.
Para ampliar o uso dessas ferramentas, as companhias precisam de maior capacidade de processamento e de mecanismos de controle sobre as informações. Thomas Kurian, CEO global do Google Cloud, disse que os clientes identificam três dificuldades recorrentes na adoção da chamada IA agêntica: os custos, a avaliação do retorno para os negócios e os controles corporativos.
O Google Cloud informou que, em 15 de outubro, a edição web do Gemini Enterprise passará a processar localmente os dados usados pelo modelo Gemini 3.5 Flash. O recurso será acrescentado ao armazenamento de dados de clientes já disponível no Brasil para operações com agentes.
A empresa também declarou que não usa dados e respostas gerados para os clientes no treinamento de seus modelos de linguagem de base sem consentimento explícito.
Na região de nuvem de São Paulo, passaram a estar disponíveis máquinas virtuais com GPUs Nvidia RTX PRO 6000 Blackwell Server Edition. Os equipamentos são destinados a aplicações que exigem maior processamento e ficam em uma infraestrutura próxima dos usuários brasileiros, o que reduz o tempo de resposta.
Uso de inteligência artificial no trabalho
Uma pesquisa encomendada pelo Google Cloud à IDC e à Provokers indica que 71% dos profissionais brasileiros usam assistentes de IA. O levantamento aponta também que 59% utilizam agentes.
Entre as organizações brasileiras, 17% já consolidaram o uso de agentes, enquanto 40% aceleram projetos internos. Funcionários também impulsionam essa adoção: 38% recorrem a agentes pessoais na rotina profissional. Desse grupo, 59% avaliam que a prática oferece baixo ou nenhum risco às empresas.
A preferência por ferramentas pessoais está associada à falta de alternativas fornecidas pelos empregadores e à facilidade de acesso. O motivo mais citado, contudo, é a dificuldade de integração dos agentes corporativos com outros sistemas usados no trabalho. No Brasil, 46% preferem soluções integradas às ferramentas que já utilizam.
O levantamento ainda mostra que 62% dos profissionais brasileiros temem perder relevância ao ensinar a IA a realizar suas tarefas. Outros 75% têm dúvidas sobre como orientar essas ferramentas. A responsabilidade pela capacitação é dividida entre fornecedores de tecnologia, empregadores e profissionais.
A pesquisa ouviu 3.200 profissionais de médias e grandes empresas da América Latina, dos quais 650 eram brasileiros.



