BRASÍLIA — O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou que as suspeitas sobre sua relação com o banqueiro Daniel Vorcaro são resultado de uma investigação ilegal e de uma farsa montada. A manifestação foi apresentada ao presidente da Corte, Edson Fachin, antes do julgamento que decidirá se a apuração será aberta ou arquivada.
A sessão está marcada para as 10h desta terça-feira (15). Moraes ficou 15 dias sem se manifestar sobre o caso e entregou uma defesa com 44 páginas. No documento, sustenta que não existe indício de infração penal nem prova de que tenha interferido nas investigações sobre negócios do Banco Master.
O ministro também atribuiu as acusações à vingança de aliados de pessoas ligadas ao ex-presidente Jair Bolsonaro, condenadas no processo citado por Moraes. Ele classificou o relatório da Polícia Federal como direcionado e questionou a competência e a legalidade da decisão que determinou a investigação, sob relatoria de André Mendonça.
Mensagens e relação com Vorcaro
A defesa dedica parte do documento às mensagens extraídas do celular de Daniel Vorcaro. Moraes nega ter trocado mensagens com o banqueiro sobre a Operação Compliance e afirma que textos encontrados em blocos de notas não comprovam quem os escreveu, se foram enviados ou se chegaram a ser visualizados.
“Diálogos fantasiosos”, escreveu o ministro ao rejeitar a existência de conversas com Vorcaro. Ele também afirmou que não há mensagem de sua autoria indicando consultoria jurídica, favorecimento ou conhecimento prévio de uma operação policial.
Entre os pontos analisados na investigação estão pedidos atribuídos a Vorcaro para que Moraes procurasse o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e o procurador-geral da República, Paulo Gonet. Também são citados um contrato de R$ 131 milhões entre Viviane Barci de Moraes e Vorcaro, cobranças relacionadas a pagamentos ao escritório Barci de Moraes e cartões de crédito com limite de R$ 300 mil para os filhos do ministro.
Vorcaro teria perguntado a Moraes se deveria deixar o país um dia antes de ser preso, em 17 de novembro de 2025. O ministro, porém, afirma que não sabia da decisão da Justiça Federal de primeira instância que determinou a operação, não contatou autoridades sobre o assunto e não vazou informações.
Questionamentos sobre provas
Moraes argumenta que o relatório seria nulo por ter origem em uma ordem judicial que considera ilegal e por apresentar conclusões baseadas em ilações, recortes de fragmentos e desvio de finalidade. Segundo ele, a operação foi realizada com a prisão de Vorcaro no momento do embarque na alfândega do aeroporto André Franco Montoro/Cumbica-SP, com o celular do banqueiro apreendido.
O ministro também questiona a cadeia de custódia dos dados. André Mendonça informou à presidência do STF que seu gabinete recebeu uma cópia de segurança do conteúdo extraído do celular, entregue pela Polícia Federal em março. O arquivo original permanece sob custódia da corporação em Brasília.
Cristiano Zanin, Gilmar Mendes e o próprio Alexandre de Moraes também requisitaram acesso aos dados brutos, encaminhados pela Polícia Federal aos respectivos gabinetes.
Na defesa, Moraes afirma que a forma de armazenamento permitiria a inclusão de arquivos falsos e mensagens em blocos de notas, além do acesso por terceiros. Ele sustenta que não existe mensagem sua relacionada a favorecimento, consultoria jurídica ou conhecimento antecipado de operação policial.
Caso envolvendo perito da Polícia Federal
Moraes também citou a investigação sobre o perito criminal João Cláudio Nabas. A Polícia Federal informou a André Mendonça que Nabas teria produzido os arquivos “Moraes.pdf” e “Toffoli e esposa.pdf” com base em citações aos ministros encontradas no celular de Vorcaro. O perito também teria sugerido a colegas o vazamento do material.
A apuração levou a uma busca e apreensão contra Nabas, por suspeita de violação de sigilo funcional. Depois da operação, ele foi afastado de suas funções.
Moraes afirma que Mendonça já tinha conhecimento formal de que seu nome aparecia nos documentos apreendidos e escolheu aguardar um momento político-eleitoral para conduzir a investigação. A defesa também acusa o relator de direcionar a apuração para incriminar um ministro do STF, atingir o presidente do Senado Federal e favorecer um grupo político nas eleições de outubro de 2026.



