GOIÁS — O Procon registra aumento de denúncias e reclamações sobre contratações indevidas de empréstimos consignados com uso de biometria facial. Idosos, especialmente aposentados, estão entre as principais vítimas dos golpes, que envolvem falsas ofertas de benefícios e chamadas de vídeo.
Hanleryo Arantes, secretário municipal de Defesa do Consumidor de Aparecida de Goiânia, afirma que o órgão recebe aproximadamente 50 casos por mês relacionados a esse tipo de ocorrência. A demanda, segundo ele, é formada principalmente por aposentados.
Uma das modalidades identificadas é o chamado golpe da cesta básica. Os criminosos procuram aposentados e pensionistas em casa e oferecem a participação em um programa de distribuição de alimentos. Para realizar o suposto cadastro, pedem dados pessoais que permitem abrir uma conta bancária digital.
Na etapa seguinte, o golpista solicita uma foto para confirmar o cadastro. Na prática, a imagem é usada para registrar a biometria facial exigida pelo sistema de segurança da instituição financeira. De acordo com Hanleryo, em 40 minutos podem ser abertas uma conta, uma operação de crédito consignado e um cartão de crédito em nome da vítima.
O aposentado, porém, não recebe o dinheiro nem controla a conta. Como os dados apresentados ao banco são verdadeiros e a biometria facial aparece no processo, a comprovação do golpe depende de investigação. As denúncias registradas no Procon são encaminhadas à delegacia especializada, que apura a contratação e o destino dos recursos.
O secretário também relata que os golpes passaram a ser aplicados por chamadas de vídeo. O criminoso pode afirmar que a pessoa ganhou dinheiro ou pedir uma suposta prova de vida do INSS. Ao posicionar o rosto diante da câmera, a vítima fornece a imagem que pode ser capturada pelo sistema usado na fraude.
O Procon orienta os consumidores, principalmente os idosos, a não informar dados pessoais por telefone e a não permitir que terceiros tirem fotos ou façam filmagens. O alerta vale também para abordagens dentro de agências bancárias. Hanleryo afirma que há relatos envolvendo familiares e suspeitas sobre registros feitos por atendentes, mas os casos precisam ser apurados.
A recomendação é formalizar a reclamação no Procon. O órgão comunica o banco, solicita documentos da contratação e aciona as forças de segurança quando necessário. O sistema ProConsumidor integra o Procon, a Secretaria Nacional do Consumidor, vinculada ao Ministério da Justiça, e delegacias especializadas, como a Decon.
As denúncias podem ser registradas pelo WhatsApp (62) 3545-6501. O canal também permite agendar atendimento presencial no Procon.




