SÃO PAULO — A bandeira verde será aplicada às contas de energia em outubro, sem cobrança adicional pelo consumo. A confirmação foi feita pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) depois do anúncio do ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, nesta sexta-feira (25). A mudança começa na próxima quinta-feira (24).
A tarifa verde substitui cinco meses de bandeira amarela, que acrescentava R$ 1,885 a cada 100 kWh consumidos. A decisão foi associada ao aumento das chuvas nas regiões Sul e Sudeste durante a passagem do período seco para o úmido. Conforme a Aneel, o maior volume de precipitações contribuiu para estabilizar os reservatórios das usinas hidrelétricas.
Com a melhora das condições, será possível reduzir o acionamento de fontes mais caras, como as usinas termelétricas. A agência informou que essa redução evita a cobrança de custos adicionais na conta dos consumidores.
Previsões e condições climáticas
A Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) já indicava, na semana passada, a possibilidade de bandeira verde em outubro nos cinco cenários avaliados. A projeção representa uma mudança em relação ao mesmo período de 2025, quando o atraso no começo do período úmido contribuiu para a adoção da bandeira vermelha patamar 1.
Para Fred Menezes, diretor de Comercialização da Armor Energia, o cenário está relacionado principalmente ao volume de chuvas registrado em setembro. A previsão para os próximos meses é de preços de energia entre R$ 120 e R$ 140 por megawatt-hora (MWh).
Apesar da perspectiva de bandeira verde, o El Niño mantém a necessidade de atenção. O fenômeno pode modificar o regime de chuvas e as temperaturas, além de reduzir a disponibilidade de energia produzida na região Norte do País e elevar a carga do sistema elétrico.
Medidas de prevenção
Entre os fatores acompanhados pelo setor estão o risco hidrológico (GSF) e o Preço de Liquidação de Diferenças (PLD), calculado para a energia que será produzida em determinado período.
Em julho, o ministro autorizou a antecipação do fornecimento previsto em cinco contratos ligados aos leilões de reserva de capacidade de energia e de potência. A medida buscou assegurar capacidade adicional ao Sistema Interligado Nacional (SIN) a partir de 1º de setembro.
A Aneel também informou que os geradores dos sistemas isolados do Norte passaram a receber antes os recursos da Conta de Consumo de Combustíveis (CCC), para formar estoque de combustível. A possibilidade de dificuldades de navegação associada ao super El Niño motivou a medida.
Segundo a previsão do setor, o fenômeno terá 95% de probabilidade de impacto forte entre outubro e dezembro. A agência ainda mantém o Radar, sistema que acompanha em tempo real as interrupções no fornecimento de energia elétrica no País e reúne dados de 5.542 municípios.




