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Tecnologia

Uso sem critério de IA pode reduzir habilidades essenciais no trabalho

Pensamento crítico, criatividade, comunicação e capacidade de resolver problemas estão entre as competências que precisam ser preservadas.

Uso sem critério de IA pode reduzir habilidades essenciais no trabalho

A adoção excessiva de inteligência artificial pode enfraquecer habilidades profissionais como pensamento crítico, comunicação, criatividade, resolução de problemas e resiliência. Ao transferir continuamente tarefas e decisões para sistemas de IA, trabalhadores podem reduzir o próprio esforço, a motivação, o senso de responsabilidade e a capacidade de recordar o trabalho realizado.

A tecnologia também pode alterar a forma de interação com colegas, afetando a confiança e a construção de relacionamentos. O uso da IA, porém, pode ser positivo quando direcionado a atividades rotineiras, repetitivas, administrativas ou ligadas à formatação, além de apoiar o aprendizado e o aprimoramento de competências.

Habilidades que exigem atenção

O pensamento crítico depende da avaliação de evidências, do questionamento de pressupostos e da elaboração de conclusões. Ele é necessário para analisar alternativas, decidir o que merece atenção e lidar com situações ambíguas. A recomendação é trabalhar com a IA sem deixar que ela substitua a reflexão própria: o profissional pode fazer perguntas, avaliar as respostas e manter a responsabilidade pelo raciocínio.

A resolução de problemas envolve compreender suas causas, explorar possibilidades, testar soluções e colocá-las em prática. A dependência excessiva da tecnologia pode dificultar a resposta a questões cotidianas sem auxílio. Uma alternativa é analisar a situação antes de recorrer à IA e usá-la depois para obter feedback ou estimular novas perguntas.

A criatividade também pode ser prejudicada quando as respostas produzidas se tornam semelhantes e pouco originais. Gerar ideias, criar rascunhos, conectar pontos de vista e explorar possibilidades antes de envolver a ferramenta ajuda a preservar essa capacidade.

Comunicação e escrita são essenciais para expressar ideias, persuadir, esclarecer pensamentos e construir relações. O uso excessivo de IA pode limitar conversas naturais e fazer com que colegas percebam os textos como pouco autênticos. Para mensagens simples, a orientação é desenvolver o conteúdo por conta própria. Em textos complexos, a IA pode ser usada no início, desde que o resultado seja revisado e receba uma contribuição pessoal.

Resiliência, flexibilidade e adaptabilidade permitem enfrentar contratempos, corrigir erros, mudar de rumo e persistir diante de desafios. A dependência da IA pode diminuir a confiança na própria capacidade de resposta. Por isso, é importante refletir sobre a situação e buscar uma solução antes de pedir auxílio à tecnologia.

Uso intencional e responsabilidade

Uma regra prática é evitar a IA quando a atividade exigir aprendizado ou quando a habilidade for necessária em uma situação sem acesso à ferramenta. Isso vale, por exemplo, para preparar uma apresentação ou participar de uma reunião sobre um assunto que precisa estar disponível na memória.

O uso deve ser intencional: em alguns momentos, a pessoa pode querer uma resposta pronta; em outros, pode buscar apoio para descobrir a solução. Também é necessário conhecer os limites dos sistemas, revisar as respostas e verificar se o resultado representa o trabalho de maneira adequada.

Dados publicados pela Universidade da Califórnia indicam que a IA pode aumentar a dependência e enfraquecer a confiança, mas também pode produzir uma sensação exagerada de segurança por usar um tom de validação. Para evitar esse efeito, é preciso reconhecer as próprias capacidades e os pontos que ainda podem ser desenvolvidos, sem deixar que o reforço positivo da ferramenta substitua a avaliação pessoal.

Uma pesquisa do Fórum Econômico Mundial aponta que continuarão relevantes competências como pensamento analítico, liderança, influência social, gestão de talentos, aprendizagem contínua, responsabilidade ambiental, alfabetização tecnológica, conhecimentos de IA e big data, além de redes e cibersegurança. O levantamento também destaca a importância das habilidades interpessoais e de relacionamento.

As competências técnicas ganham valor à medida que mais empregos passam a incorporar IA e outras tecnologias. De acordo com um relatório da PwC, empregos que utilizam IA oferecem um adicional salarial de 56% em comparação com aqueles que não empregam a tecnologia.

Papel das organizações

As empresas podem estabelecer diretrizes sobre quando e como os funcionários devem utilizar a IA, mantendo as pessoas informadas sobre o funcionamento e os limites desses sistemas. A medida contribui para preservar habilidades, responsabilidade e senso de propósito no trabalho.

Treinamento e desenvolvimento também podem reduzir o estresse tecnológico, associado a incertezas e inseguranças no emprego. Além disso, os empregadores precisam cobrar a qualidade dos resultados e manter os funcionários responsáveis pelas entregas, reconhecendo o uso eficaz da tecnologia sem transferir a ela a responsabilidade pelo trabalho.

A recuperação de habilidades enfraquecidas é possível. A manutenção de uma mentalidade de crescimento permite desenvolver novamente inteligência, conhecimento e capacidades. Para isso, é necessário equilibrar o uso das ferramentas com oportunidades contínuas de aprender, resolver problemas, enfrentar desafios e preservar competências humanas.

Texto produzido pela Redação Caderno do Saber com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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