SÃO PAULO — A proporção de empregadores e trabalhadores por conta própria com registro no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) alcançou 35% em 2025, o maior percentual desde o início da série histórica, em 2012. O índice era de 24% naquele ano, uma alta de 11 pontos percentuais, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Os dados fazem parte do estudo Pnad Contínua: Características Adicionais do Mercado de Trabalho – 2025, divulgado nesta quarta-feira (23). A pesquisa não foi realizada em 2020 e 2021 por causa da pandemia.
O resultado foi influenciado pelo aumento entre os trabalhadores por conta própria. A parcela com CNPJ chegou a 27,1% em 2025, quase o dobro dos 15% registrados em 2012. Entre os empregadores, a formalização passou de 75,6% para 81,1% no mesmo intervalo.
O IBGE relaciona a cobertura do CNPJ ao nível de instrução. Em 2025, pela primeira vez, mais da metade dos trabalhadores por conta própria com ensino superior tinha registro formal: 50,8%.
“A taxa de registro está fortemente ligada ao nível de instrução”, afirmou William Kratochwill, responsável pela pesquisa. De acordo com ele, programas como o microempreendedor individual (MEI) podem ter facilitado a formalização de trabalhadores com maior escolaridade.
Perfil dos trabalhadores
O número de trabalhadores por conta própria chegou a 26,2 milhões em 2025, o equivalente a 25,4% da população ocupada. Os empregadores somavam cerca de 4,5 milhões, ou aproximadamente 4,4% dos ocupados. Já os autônomos com CNPJ eram cerca de 7,1 milhões, ante 3,7 milhões de empregadores formalizados.
As regiões Sul, com 46,7%, e Sudeste, com 41,6%, registraram os maiores percentuais de empregadores e trabalhadores por conta própria com CNPJ. Norte e Nordeste apresentaram 15,6% e 20,1%, respectivamente. No Centro-Oeste, a taxa passou de 30,1% em 2019 para 41,6% em 2025.
Entre as mulheres, 36,7% das empregadoras e trabalhadoras por conta própria tinham CNPJ em 2025, contra 34,2% dos homens. A diferença foi de 2,5 pontos percentuais. O IBGE informou que a Pnad ainda não tem dados específicos para analisar a chamada pejotização, contratação como pessoa jurídica em vez de carteira assinada.



