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A escola, a ciência e o futuro
Educação

Como Anísio Teixeira transformou ideias sobre educação em experiências escolares

Exposição em São Paulo reúne documentos e projetos para apresentar o legado do educador e os desafios da escola pública.

A proposta de educação integral de Anísio Teixeira não se limitava a manter os estudantes por mais tempo na escola. Na experiência das Escolas-Classe e da Escola Parque, o educador articulou conteúdos regulares, atividades artísticas, práticas físicas, recreação e trabalhos manuais. Uma exposição no Itaú Cultural recupera esse percurso e relaciona suas ideias a temas ainda presentes no debate educacional.

A Ocupação Anísio Teixeira reúne fotografias, cartas, livros, vídeos, plantas arquitetônicas e objetos pessoais. A mostra permanece em cartaz até 15 de novembro de 2026 e é a 75ª edição do programa Ocupação Itaú Cultural. O conteúdo também pode ser acessado por meio de um site especial, com documentos e vídeos, e de um curso gratuito e autoformativo sobre Anísio Teixeira e a Educação Integral, com 4 horas de duração e certificado.

Uma escola com experiências variadas

A primeira experiência de maior destaque começou a ser estruturada na década de 1950, em Salvador, com o Centro Educacional Carneiro Ribeiro. O complexo reunia as Escolas-Classe, destinadas aos componentes curriculares regulares, e a Escola Parque, voltada a música, educação física, recreação e oficinas de couro, sapataria, madeira, metal e cerâmica.

A primeira Escola Parque de Brasília começou a funcionar em 1960. O planejamento previa 28 unidades, mas cinco foram construídas no Plano Piloto. Atualmente, o Distrito Federal tem oito Escolas Parque, sendo cinco no Plano Piloto. De acordo com o livro “Memórias da Escola-Parque de Brasília”, de Ingrid Dittrich Wiggers, o projeto passou por mudanças no currículo e deixou de oferecer o ensino integral previsto na concepção inicial.

Na exposição, fotografias, boletins, objetos e plantas ajudam a visualizar o cotidiano dessas instituições. Parte dos documentos foi preservada por José Mendes de Oliveira, que foi aluno, professor e zelador da Escola Parque de Salvador e chegou a morar no local. Entre os itens estão certificados, boletins e um cheque do banco da escola, usado como recurso para ensinar educação financeira.

O espaço montado no Itaú Cultural não impõe um percurso único. A ambientação sonora foi gravada na Escola Parque de Brasília, e projeções apresentam ambientes ligados à experiência escolar.

Ideias que atravessaram gerações

Em 1932, Anísio Teixeira assinou o Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova, documento que defendia uma escola pública, gratuita, laica e acessível a todos. O movimento criticava um ensino baseado principalmente na transmissão e na memorização de conteúdos e propunha maior relação entre aprendizagem, realidade e participação dos estudantes.

Durante os estudos nos Estados Unidos, Anísio foi aluno de John Dewey (1859-1952), filósofo e educador associado à educação progressiva. Ao retornar ao Brasil, passou a defender uma escola vinculada à experiência dos alunos. Uma frase publicada no livro “Educação progressiva”, de 1934, resume essa concepção: “Educar é crescer. E crescer é viver.”

A atualidade desses temas também aparece na pesquisa da exposição. Jéssica Botossi, coordenadora do Núcleo de Formação e Fomento do Itaú Cultural, afirma: “Anísio Teixeira não é uma figura tão conhecida pelas pessoas.” Para ela, o contato com políticas públicas educacionais permite perceber a participação do educador em diferentes iniciativas.

Em 2024, Anísio foi reconhecido como patrono da educação pública brasileira. Sua atuação também esteve ligada ao Inep, onde foi diretor de 1952 a 1964, à Capes, da qual participou dos primeiros anos, e à criação da UnB, ao lado de Darcy Ribeiro (1922-1997). Na universidade, Darcy definiu as bases, Anísio planejou o modelo pedagógico e Oscar Niemeyer projetou os edifícios.

O educador além do gestor público

A mostra dedica uma parte ao Anisinho, apelido usado pela família. Cartas, fotografias, livros e objetos pessoais apresentam aspectos da vida privada de Anísio, com materiais cedidos por filhos e netos. Reproduções de correspondências aparecem em caixas de correio, enquanto um telefone de época permite ouvir a narração de uma mensagem dirigida à esposa.

As cartas também registram a relação com estudantes das Escolas Parque. Há mensagens em que alunos o convidam para inaugurações de uma horta ou de uma biblioteca. A exposição ainda apresenta vínculos com Darcy Ribeiro, Paulo Freire e Thiago de Mello. Em “Capitães da Areia”, publicado em 1937, Jorge Amado incluiu Anísio entre os homenageados e o chamou de amigo das crianças.

Memória e questões ainda abertas

Outro núcleo aborda a candidatura de Anísio à Academia Brasileira de Letras. No início de 1971, ele se preparava para concorrer a uma cadeira. Em 11 de março, após participar de uma conferência na Fundação Getúlio Vargas, no Rio de Janeiro, dirigiu-se ao edifício onde morava o escritor Aurélio Buarque de Holanda, integrante da ABL. Anísio pretendia conversar sobre a candidatura, mas não chegou ao encontro.

Dois dias depois, seu corpo foi encontrado no poço do elevador do prédio. A versão divulgada naquele período indicou uma queda acidental. Relatos e documentos conhecidos posteriormente, porém, levantaram dúvidas sobre essa explicação.

As circunstâncias foram examinadas pela Comissão Nacional da Verdade e pela Comissão Anísio Teixeira de Memória e Verdade da Universidade de Brasília. O relatório da comissão da UnB reuniu elementos que questionam a hipótese de acidente, sem apresentar uma conclusão definitiva. Em “Breve história da vida e morte de Anísio Teixeira”, publicado em 2019, João Augusto de Lima Rocha defende a hipótese de que o educador tenha sido detido por agentes da ditadura antes de chegar ao edifício.

A Ocupação Anísio Teixeira está no Itaú Cultural, na Avenida Paulista, 149, Bela Vista, em São Paulo. A curadoria é do Itaú Cultural e do Itaú Social, com consultoria de Ingrid Dittrich Wiggers. O curso sobre educação integral está disponível na Escola Fundação Itaú.

Texto produzido pela Redação Caderno do Saber com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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