FLORIANÓPOLIS — Sueli Cordeiro, de 82 anos, e a filha, Irene Maria da Silva Cordeiro, de 52, voltaram a estudar juntas por meio da Educação de Jovens, Adultos e Idosos (EJA) da Secretaria Municipal de Educação de Florianópolis. As duas fazem parte da turma 20 do Núcleo EJA Sul 1, formada por 10 mulheres com idades entre 23 e 82 anos.
A turma atende estudantes que tiveram a educação básica e o ensino interrompidos quando eram crianças. Para Sueli e Irene, o retorno à escola representa a oportunidade de completar a educação e buscar mais independência. “Com a EJA, eu me sinto bem e sou feliz”, afirma Sueli.
Aprendizagem e autonomia
As aulas acontecem no Centro de Saúde do bairro Carianos, no Sul da Ilha, duas vezes por semana: na quarta-feira pela manhã e na sexta-feira à tarde. O grupo é acompanhado pelas professoras Janete Elenice Jorge e Emiliana Correa.
Embora as inscrições sejam abertas a qualquer cidadão, independentemente do gênero, apenas mulheres se inscreveram nessa turma. Além de Sueli e Irene, participam Nara Regina Coelho de Avila, de 58 anos; Rafaela Ivanilda da Silva, de 36; Margarete Iris de Souza, de 54; Eudelis Alejandra Padron Hernandez, de 34; Evageslaine Marques Brites, de 75; Maria Antoninha Bertusso, de 57; Susana de Andrade Beirão, de 44; e Kalita Elvira Duarte, de 23.
As estudantes relatam que a EJA contribui para o desenvolvimento da inteligência, o aumento da autoestima e a conquista de autonomia. Nara está na primeira fase e aprende a ler e a escrever. Rafaela afirma que passou a se sentir mais confiante e já consegue ajudar a filha de seis anos nas tarefas escolares.
Margarete, que está em fase de alfabetização, começou a resolver algumas questões relacionadas ao banco e a acompanhar melhor as novidades e ferramentas do celular. Para ela, a escola também representa a expectativa de construir um futuro melhor ao lado das colegas.
Pesquisa como parte da formação
A EJA busca ampliar as possibilidades de pessoas que tiveram o direito à educação interrompido, negado ou adiado. Conforme a Prefeitura de Florianópolis, o trabalho com a turma integra um planejamento coletivo dos profissionais do Núcleo, com docência compartilhada e acompanhamento dos percursos de aprendizagem e das pesquisas das estudantes.
As atividades também incentivam as alunas a investigar a própria realidade. Janete Elenice Jorge explica que a pesquisa ajuda as estudantes a compreenderem o lugar onde vivem e a se reconhecerem como cidadãs de direitos: “A pesquisa na EJA é uma ferramenta de leitura do mundo, não uma atividade escolar”.
As inscrições para a modalidade são online e gratuitas pelo site oficial da Prefeitura de Florianópolis. O cadastro permanece aberto durante todo o ano, e as aulas da rede municipal são oferecidas de segunda a sexta-feira, nos turnos matutino, vespertino e noturno.
Também são disponibilizadas refeições e, nos casos previstos em lei, passe escolar de transporte público para estudantes que moram a mais de dois quilômetros da unidade e têm renda familiar inferior a três salários mínimos.



