FLORIANÓPOLIS — A Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) solicitou apoio da Polícia Federal para investigar uma pichação racista encontrada em um banheiro do Centro Socioeconômico (CSE), em Florianópolis. As inscrições continham um símbolo nazista, ameaças de morte contra pessoas negras e comunistas e referências de exaltação ao nazismo.
A denúncia foi apresentada na sexta-feira (11) pelo Coletivo Negro Lélia Gonzalez. Na segunda-feira (14), a UFSC informou que protocolou o pedido para auxiliar na investigação e na identificação dos responsáveis.
Em nota, a universidade afirmou que reuniu registros e outros elementos que podem contribuir para a apuração. Também informou que avalia medidas de segurança e proteção para a comunidade universitária. “não aceitaremos que o racismo, o ódio, a intolerância ou qualquer forma de ameaça encontrem espaço na UFSC”, declarou a instituição.
Imagens e medidas institucionais
A vice-reitora da UFSC, Felipa Rafaela Amadigi, informou que as imagens das câmeras de segurança serão disponibilizadas para a investigação. Segundo ela, o local já foi limpo, e a Polícia Federal poderá recuperar os registros disponíveis.
A universidade também prevê uma campanha institucional de combate ao racismo. Evelise Santos Sousa, pró-reitora de Ações Afirmativas e Equidade, informou que a Pró-Reitoria de Ações Afirmativas e Equidade (Proaf) pretende conversar com os coletivos que se sentiram atingidos para uma ação inicial de acolhimento.
A iniciativa será relacionada à Resolução Normativa 175, que trata do enfrentamento e do combate ao racismo na universidade. A UFSC informou ainda que pretende avaliar, com a comunidade, as medidas possíveis após o caso.
Na nota, a instituição afirmou que não reproduzirá as mensagens encontradas e classificou as inscrições como incompatíveis com os valores de uma universidade pública, democrática e plural. A UFSC também declarou que ameaça não é divergência, racismo não é opinião e que a exaltação do nazismo não pode ser naturalizada como manifestação política.
O caso ocorreu nas dependências do CSE, no Campus Trindade, em Florianópolis. A universidade disse que permanecerá disponível para prestar informações e colaborar com a apuração.



