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A escola, a ciência e o futuro
Educação

Como a robótica pode abrir espaço para todos na escola

Dados sobre bullying reforçam a importância de planejar equipes, alternar funções e garantir apoio institucional durante projetos de robótica.

Como a robótica pode abrir espaço para todos na escola

Projetos de robótica podem revelar como os estudantes participam da vida escolar. Enquanto alguns encontram na montagem, na programação ou nos testes uma forma de se expressar, outros podem acabar afastados das decisões, restritos a tarefas pouco valorizadas ou interrompidos quando tentam contribuir. Por isso, a atividade exige mais do que equipamentos: requer planejamento das equipes, alternância de funções e atenção às relações construídas durante o trabalho.

Os dados da PeNSE (Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar 2024), divulgados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) em 2026, ajudam a dimensionar o contexto em que essas experiências acontecem. Entre estudantes brasileiros de 13 a 17 anos, 27,2% relataram ter sofrido bullying duas ou mais vezes nos 30 dias anteriores à entrevista. Em 2019, o percentual era de 23%. A taxa chegou a 30,1% entre as meninas e ficou em 24,3% entre os meninos. Também declararam ter praticado bullying no período 13,7% dos estudantes.

A violência aparece ainda nos ambientes digitais. Em 2024, 12,7% dos adolescentes disseram ter sofrido bullying nas redes sociais. Na rede pública, o índice foi de 13,4%. Os números mostram que as relações de exclusão podem atravessar a sala de aula, o recreio, os grupos de mensagens e também as atividades de robótica.

A participação precisa ser planejada

Durante o projeto, o professor pode observar quem costuma falar, decidir, manipular os equipamentos, registrar as etapas e apresentar os resultados. Também é importante perceber quem precisa repetir a própria ideia para ser ouvido, quem se afasta, deixa de sugerir propostas, aceita sempre as mesmas tarefas ou evita participar nos dias da atividade.

Brincadeiras repetidas, apelidos, risadas diante do erro, interrupções constantes e comentários sobre aparência, gênero, habilidade, origem ou condição social são sinais que merecem atenção. Discordâncias fazem parte do trabalho em grupo, mas a situação muda quando atitudes recorrentes humilham, excluem, reforçam desigualdades de poder ou provocam sofrimento.

A Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) alerta que estudantes vistos como diferentes estão mais expostos à rejeição, com possíveis efeitos sobre o sentimento de pertencimento e o rendimento escolar. A intervenção do professor, portanto, não precisa esperar que o problema se agrave.

Uma forma de agir é estabelecer combinados: todas as ideias devem ser consideradas, ninguém precisa dominar todos os conhecimentos, as funções devem ser alternadas e o erro não pode ser usado para constranger. A formação das equipes também pode ser planejada, em vez de repetir os mesmos agrupamentos.

O rodízio pode incluir programação, montagem, pesquisa, documentação, comunicação, testes, apresentação e organização dos materiais. Assim, estudantes que não se identificam inicialmente com o código ou com a mecânica têm outras possibilidades de contribuir. A participação também pode ocorrer por meio de pesquisa, desenho, entrevistas com a comunidade, análise do impacto social da solução ou comunicação dos resultados.

O erro como parte do percurso

A robótica desloca a aprendizagem para a experimentação. Testar, desmontar e refazer permite transformar o protótipo que não funcionou em objeto de investigação. Em vez de perguntar somente se o resultado deu certo, o professor pode discutir o que a equipe aprendeu com a tentativa que falhou.

Esse processo abre espaço para reconhecer contribuições diferentes. Uma boa pergunta, a antecipação de um problema, a explicação de uma ideia por outro ângulo ou a ajuda oferecida a um colega também fazem parte da construção. O estudante que monta mais rápido não é necessariamente quem compreendeu melhor o problema, e uma observação feita por quem acompanhava a atividade pode mudar os rumos da solução.

Criar um ambiente seguro não significa transformar a aula em entretenimento permanente. Significa permitir que os estudantes experimentem sem medo de ridicularização, comemorem descobertas, reconheçam o esforço dos colegas e encontrem uma forma legítima de participar.

Apoio também para quem ensina

A responsabilidade por um ambiente acolhedor não pode ficar apenas sobre o professor. O docente lida com sobrecarga, pressão por resultados e conflitos, além da sensação de precisar resolver individualmente problemas que pertencem à comunidade escolar.

Na PeNSE 2024, a investigação sobre a oferta de suporte psicológico nas escolas foi incluída pela primeira vez. O levantamento indicou que 47,7% dos estudantes frequentavam instituições com algum tipo de apoio. Na rede pública, o índice era de 45,8%.

Esse cenário reforça a necessidade de redes de proteção, protocolos claros para situações de violência e exclusão e espaços para que os profissionais compartilhem angústias e estratégias com seus pares. O acolhimento não pode depender exclusivamente da iniciativa individual de quem conduz a turma.

A discussão pode ganhar espaço no Setembro Amarelo, mas não deve se limitar a uma ação pontual ou a mensagens sobre saúde mental. Projetos de robótica podem estimular conversas sobre pertencimento, cooperação e respeito, além de mostrar que pedir ajuda não é sinal de fraqueza. Em situações de sofrimento intenso, porém, é necessário buscar acolhimento responsável e encaminhamento por profissionais preparados.

A robótica não substitui esse atendimento. Seu papel é contribuir para uma cultura de aprendizagem compartilhada, na qual diferentes saberes, ritmos e maneiras de observar o mundo tenham valor. Quando a escola cria essas condições, a atividade deixa de ser apenas técnica e passa a envolver autoria, empatia e participação.

Texto produzido pela Redação Caderno do Saber com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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