CAMPO GRANDE — O árbitro de 55 anos que sacou uma arma de fogo durante uma partida da categoria sub-12 foi afastado da II Copa ABC de Futsal. A organização também determinou que os jogos restantes sejam realizados com portões fechados, sem pais, familiares ou torcedores nas arquibancadas.
O episódio ocorreu no Ginásio do Colégio ABC, durante o jogo entre Mussi Sports e Colégio Batista. A partida foi realizada no dia 26 de setembro de 2026, conforme comunicado da AG Eventos Esportivos. O relato inicial sobre a ocorrência também menciona o sábado (28).
Confusão durante o jogo
Imagens da transmissão mostram um tumulto na entrada do ginásio. O árbitro, que é policial militar da reserva remunerada, aparece envolvido na confusão e, depois, retorna à quadra segurando uma arma. Ele foi contido por um dos pais das crianças.
De acordo com o registro feito na Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário (Depac) do Centro, uma representante e uma testemunha de uma das equipes afirmaram que a discussão começou após críticas à arbitragem depois da marcação de um pênalti. Elas disseram que não houve ofensas pessoais dirigidas ao árbitro.
Ainda segundo esse relato, o árbitro teria xingado os pais, chamado-os para uma briga e feito gestos que simulavam socos. Em seguida, teria sacado a arma próximo às crianças. Pessoas deixaram o local com medo de disparos. A Polícia Militar foi acionada pelo telefone 190, e os vídeos foram anexados ao boletim de ocorrência.
A Polícia Militar apresentou outra versão. Em nota, informou que o árbitro teria sido alvo de ofensa racial e que um dos pais teria feito um gesto indicando que carregava uma arma na cintura. Segundo a corporação, o árbitro retirou uma arma registrada de uso pessoal e a empunhou diante da percepção de risco. Não houve disparos.
A PM informou que o caso foi encaminhado à delegacia para apuração de injúria racial, ameaça e vias de fato. A Corregedoria-Geral da PMMS também fará os procedimentos internos cabíveis.
Medidas no campeonato
A AG Eventos Esportivos comunicou que o árbitro, integrante do quadro da FEEMS, não será mais escalado na competição e solicitou à entidade a apuração dos fatos. O acesso ao ginásio ficará restrito a atletas, comissões técnicas, equipe de arbitragem e profissionais autorizados.
O Colégio ABC lamentou e repudiou o episódio. A instituição afirmou que o espaço foi cedido à organização AGE, responsável pelo evento, e declarou que não compactua com condutas que coloquem em risco a integridade física ou emocional das pessoas. O colégio informou que acompanhará a apuração e colaborará com as autoridades quando necessário.



