NORTE DO CHILE — Chuvas de inverno associadas ao fenômeno El Niño transformaram parte do deserto do Atacama em uma área coberta por flores. A precipitação ocorreu em setembro e provocou a germinação de sementes que permanecem sob o solo desértico.
Cerca de 200 espécies de sementes e bulbos podem estar escondidas na região, aguardando água para germinar. Entre as plantas que apareceram estão os suspiros brancos e as patas de guanaco, responsáveis por grandes extensões de flores violetas.
Em alguns pontos, o volume de chuva ultrapassou 180 milímetros. César Pizarro, chefe da seção de conservação da biodiversidade da Corporação Nacional Florestal chilena (Conaf) no Atacama, afirmou que foram registrados volumes muito altos, que não haviam sido observados antes. Para ele, a água penetrou mais fundo na areia e favoreceu a formação da paisagem no parque natural, localizado cerca de 800 quilômetros ao norte de Santiago.
O fenômeno conhecido como deserto florido deve alcançar seu ponto máximo em outubro. A expectativa da Corporación Nacional Forestal (CONAF) é que a área coberta chegue a cerca de 15 mil hectares.
Pizarro também destacou que o surgimento das flores envolve outros elementos da biodiversidade. A presença de insetos, caracóis, aves, répteis e mamíferos é necessária para que o ambiente se desenvolva. “Para nosso país, o deserto florido é um orgulho, é parte do nosso patrimônio”, disse.
Previsão para o El Niño
O El Niño ocorre a cada dois a sete anos e eleva as temperaturas da superfície do Pacífico equatorial central e leste, alterando ventos e chuvas em diferentes regiões. A expressão “super El Niño” não é uma classificação científica, mas é usada para episódios em que a temperatura fica 2°C ou mais acima da média.
Um monitoramento da NOAA apontou probabilidade de 93% de o fenômeno atingir intensidade muito forte entre setembro, outubro e novembro. A agência ressalta que um El Niño mais intenso não produz necessariamente impactos maiores em todas as áreas. Os efeitos dependem também dos sistemas meteorológicos, da umidade do solo e das vulnerabilidades locais.
A previsão de climatologistas é que o maior aquecimento do oceano ocorra entre novembro de 2026 e janeiro de 2027.



