JARDIM — As chuvas registradas em Jardim (MS) fizeram surgir um pequeno fluxo no Rio da Prata, mas ainda não restabeleceram a conexão do curso d’água. O trecho interrompido tem 4 quilômetros, de acordo com Nisroque Soares, coordenador do Instituto Guarda Mirim Ambiental (IGMA).
Foram registrados 21 mm de chuva nas cabeceiras e 42 mm na região da Ponte Cure. Antes das precipitações, o leito apresentava solo rachado, formações de calcário e poças isoladas. Em alguns pontos, a profundidade costumava chegar a 5 metros.
A previsão meteorológica indica continuidade das chuvas ao longo do fim de semana. A expectativa é de que o volume acumulado ajude a recompor o leito e a reintegrar o trecho atualmente isolado.
A seca também afetou a fauna da região. Cerca de 200 peixes de diferentes espécies foram retirados de pequenas poças e levados para áreas onde a água ainda corria. Outros grupos permanecem sob monitoramento.
“Os impactos são imensuráveis, tanto para a fauna quanto para as espécies de peixes do local”, afirmou Soares. Segundo o coordenador do IGMA, a falta de água prejudica a conectividade do rio, o ecossistema, a flora, a biodiversidade e as propriedades às margens.
Com cerca de 90 quilômetros de extensão, o Rio da Prata mantém fluxo contínuo nas partes alta e baixa, onde existem nascentes ativas. O trecho central, entre Bonito e Jardim, é mais vulnerável porque não conta com nascentes diretas.
A régua de medição, que normalmente marca entre 80 e 90 centímetros e supera 200 centímetros em períodos de cheia, havia zerado antes das últimas chuvas. Este é o terceiro ano consecutivo de interrupção do curso. Em 2023, o trecho seco chegou a 11 quilômetros; no passado, o fenômeno ocorria em intervalos de cerca de 25 anos.
Voluntários e entidades fazem plantio de vegetação nativa e constroem barreiras de pedra em drenos. O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) acompanha a situação por meio de inquérito civil aberto em 2024. Os passeios turísticos em outras extensões do rio seguem funcionando normalmente.



