MATO GROSSO DO SUL — O delegado Hoffman D’Ávila Cândido e Sousa continuará preso por suspeita de participar de um esquema que desviava drogas apreendidas pela polícia e as revendia a traficantes. A defesa, formada pelos advogados Amilton Ferreira de Almeida e José Roberto Rosa, deve pedir a revogação da prisão na próxima segunda-feira (28).
Hoffman e outros sete policiais foram presos na quinta-feira (24), durante a Operação Infiltrados, conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco). A investigação envolve policiais civis, militares e um policial penal.
Segundo o Gaeco, Hoffman exercia a “chancela institucional” do esquema enquanto comandava a Delegacia Especializada de Repressão ao Narcotráfico (Denar). O órgão afirma que ele viabilizava a atuação do grupo e estava entre os principais beneficiários, mas não atribui a ele a mesma função operacional dos agentes responsáveis por rastrear, apreender e repassar drogas.
Como funcionava o esquema
A investigação aponta que os integrantes tinham tarefas divididas. Alguns obtinham informações sobre carregamentos; policiais rastreavam e apreendiam os entorpecentes; outros recebiam e revendiam o material; e havia pessoas encarregadas de movimentar o dinheiro.
O Gaeco identifica Lucas da Silva dos Santos, conhecido como LK, como elo entre policiais e traficantes. Ele teria repassado informações sobre cargas, articulado a atuação dos agentes, negociado a parcela da droga desviada e administrado as vendas.
Dados bancários autorizados judicialmente indicaram três transferências de LK para o policial civil Neverson Vieira de Araújo, no total de R$ 3 mil. A investigação também encontrou conversas sobre pagamentos por cocaína, fotografias de dinheiro e negociações envolvendo drogas apreendidas.
Em novembro de 2022, Neverson e Nilton Cesar Sales dos Santos apreenderam cerca de 30 kg de pasta-base de cocaína escondidos em um carro utilitário. Dias depois, traficantes foram interceptados conversando sobre a mesma carga. Para os investigadores, a mensagem analisada indicava que a droga seria vendida ao grupo, mas acabou sendo apresentada oficialmente.
A apuração ainda aponta que policiais usavam sistemas restritos de inteligência para consultar placas e levantar informações solicitadas por traficantes. Em outro trecho, o Gaeco relata que, em dezembro de 2022, um investigado enviou fotos de maços de dinheiro que seriam usados para comprar cocaína de policiais civis.
A Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública informou que a operação cumpriu mandados de busca e apreensão e de prisão contra investigados por tráfico de drogas e outros crimes. A pasta afirmou que os servidores já eram investigados pelas corregedorias e que eventuais desvios serão apurados com respeito à legislação, ao devido processo legal e às garantias individuais.



