GOIÂNIA — A fisioterapeuta Magda Oliveira da Silva foi presa sob suspeita de mutilar pacientes durante procedimentos estéticos e cirúrgicos. Segundo o delegado Alex Rodrigues, ela tem formação na área de estética, mas não possuía autorização para realizar esse tipo de serviço. Ao menos 12 pacientes foram afetadas, conforme informado pelo delegado.
A prisão ocorreu nesta segunda-feira (22), e Magda permanecia presa. A investigação começou depois que sete pacientes denunciaram complicações graves em intervenções nas regiões íntima, facial, glútea e mamária. Após a Polícia Civil divulgar a imagem da profissional, outras duas vítimas procuraram a delegacia para formalizar denúncias.
Entre os procedimentos atribuídos à fisioterapeuta estão a ninfoplastia convencional, para redução dos pequenos lábios, a ninfoplastia a laser de CO₂ e aplicações na região genital. Também foram citadas aplicação de fios de PDO, toxina botulínica e ácido hialurônico, além de procedimentos com plasma jet nos olhos e no pescoço, preenchimento labial, intervenções faciais, aplicações nos glúteos e laser nas mamas.
De acordo com os relatos das pacientes e com a investigação, as intervenções invasivas teriam provocado lesões, queimaduras, cicatrizes, perda de tecido e casos de mutilação. “Ela não tem autorização dos órgãos responsáveis para realizar esse tipo de procedimento”, afirmou o delegado Alex Rodrigues.
A Polícia Civil informou que a investigada teria ultrapassado os limites de sua habilitação profissional, mesmo com formação complementar em harmonização facial, corporal e íntima. Em um vídeo divulgado, Magda aparece usando um guardanapo para limpar o corte de uma paciente.
Medidas adotadas
Foram cumpridos mandados de busca e apreensão na casa da investigada e em duas salas comerciais onde ela atendia. Os agentes apreenderam celulares e medicamentos vencidos. Também verificaram que os locais não tinham licença sanitária para funcionar.
O Conselho Regional de Fisioterapia e Terapia Ocupacional da 19ª Região (Crefito-19) confirmou a suspensão cautelar do exercício profissional de Magda. A medida foi adotada diante do risco à saúde e à integridade física de pacientes e tem caráter provisório, sem representar uma decisão sobre a responsabilidade ética da profissional. O caso tramita em processo ético-disciplinar, com direito à defesa.
Em nota, a defesa afirmou que o processo corre em segredo de Justiça e que não fará declarações fora da esfera judicial. Também informou que Magda confia nas instituições e está à disposição das autoridades para colaborar com as investigações.

