GOIÂNIA — A fisioterapeuta Magda Oliveira da Silva foi presa nesta segunda-feira (22), em Goiânia, após denúncias de pacientes que relataram complicações depois de procedimentos estéticos. A Polícia Civil investiga a realização de intervenções nas regiões íntima, facial, glútea e mamária.
Um vídeo mostra Magda usando um guardanapo para limpar cortes de uma paciente durante uma ninfoplastia, cirurgia realizada para reduzir ou corrigir assimetrias nos pequenos lábios vaginais. Nas imagens, ela aparece sem máscara. Segundo o delegado Alex Rodrigues, a conduta está fora dos parâmetros exigidos.
A investigação começou após sete pacientes procurarem a polícia. Depois que a imagem da investigada foi divulgada, outras duas mulheres também apresentaram denúncias. A Polícia Civil afirma que alguns procedimentos podem ter envolvido cortes, retirada de tecidos, alterações da anatomia e prescrição ou fornecimento de medicamentos além dos limites técnicos e legais da atuação profissional.
Entre os relatos estão perda de tecido, cicatrizes, sangramentos, dor intensa, perda de sensibilidade, dificuldade para manter relações sexuais e possível necessidade de cirurgia reconstrutiva. Também foram mencionadas queimaduras nas mamas, além de inchaço, hematomas, secreção e bolhas após procedimentos com fios, aplicações e outras intervenções estéticas.
Uma paciente relatou à polícia que percebeu falta de higiene durante o atendimento, incluindo ausência de luvas estéreis e máscara e o uso de papel toalha para secar um sangramento. O cirurgião plástico Eduardo Ferro afirmou que a ninfoplastia é uma cirurgia e que o contato de um guardanapo com uma área aberta pode aumentar o risco de contaminação e infecção. Segundo ele, uma infecção pode causar abertura da ferida, necrose, perda de tecido, deformidades, alteração de sensibilidade e necessidade de novas cirurgias.
Investigação e manifestações
De acordo com o delegado Alex Rodrigues, Magda tem formação em fisioterapia e curso na área estética, mas não teria autorização dos órgãos responsáveis para realizar o tipo de procedimento investigado.
A defesa informou, em nota enviada nesta segunda-feira (21), que a fisioterapeuta está à disposição da Polícia Civil e do Poder Judiciário. Também afirmou que ela confia no esclarecimento dos fatos durante a investigação e que devem ser respeitados a ampla defesa, o contraditório e a presunção de inocência.
O Conselho Regional de Fisioterapia e Terapia Ocupacional da 19ª Região informou que recebeu uma denúncia e tomou conhecimento da prisão preventiva por informações divulgadas pela Polícia Civil. O CREFITO-19 instaurou processo administrativo e ético-disciplinar para apurar os fatos e declarou que poderá colaborar com as autoridades policiais e o Ministério Público.

