GOIÂNIA — Érika Fernandes Viana, de 51 anos, morreu na última semana após receber o diagnóstico da doença rara de Creutzfeldt-Jakob (DCJ). A enfermeira estava em casa, com a família, depois de passar cerca de dois meses internada no Hospital São Francisco de Assis, em Goiânia.
A mãe, Valderci Rustiguel Viana, de 70 anos, contou que ficou desolada ao saber da doença. Ela levou a filha a outro neurologista e pagou por consulta e exames para confirmar o diagnóstico. "Eu não acreditava. Eu trouxe ela pra casa e ainda a levei a outro médico, neurologista", relatou.
A rede municipal de saúde instalou uma estrutura de atendimento domiciliar para o período de tratamento paliativo, que começou no final de julho e terminou na última sexta-feira (11), quando Érika morreu. Esse tipo de cuidado busca oferecer conforto e bem-estar a pacientes com doenças consideradas sem cura.
Família decidiu não contar o diagnóstico
Segundo Valderci, Érika não foi informada sobre a doença. A família evitava falar sobre o assunto perto dela e dizia que ela ficaria bem e voltaria para casa. O filho da enfermeira, porém, sabia do diagnóstico e pesquisava sobre a DCJ porque ainda tinha esperança de que a mãe se recuperasse.
Mesmo sem conseguir falar e com a capacidade motora comprometida, Érika continuava entendendo o que acontecia ao seu redor, conforme a mãe. Ela respondia com gestos, movimentos das sobrancelhas e dos olhos.
Os primeiros sintomas surgiram em dezembro de 2025, mas o diagnóstico foi confirmado apenas em março. Inicialmente, Érika perdeu os movimentos das pernas e passou a usar um andador. Depois, perdeu os movimentos dos braços e, por fim, deixou de se comunicar.
Érika trabalhava como enfermeira em Senador Canedo e como técnica de enfermagem na UPA Novo Mundo, em Goiânia. Ela atuava na área da saúde desde os 18 anos. O Conselho Regional de Enfermagem de Goiás publicou uma nota de pesar e informou que ela também trabalhou na UPA de Senador Canedo.
Doença rara
A doença de Creutzfeldt-Jakob é neurodegenerativa e progressiva. Ela ocorre devido à alteração de uma proteína chamada príon, que provoca danos no cérebro. Não há tratamento capaz de reverter ou interromper sua evolução.
A DCJ também foi diagnosticada no influenciador Lito Sousa em agosto. Conforme informações divulgadas pela esposa dele, ele apresentou perda de movimentos e recebeu o diagnóstico após uma série de exames. O Ministério da Saúde registrou 547 casos confirmados da doença no Brasil entre 2005 e 2021.
Valderci afirmou ainda que o neto, de 12 anos, ficará sob seus cuidados, pois o pai, embora tenha registrado o menino, não é presente.



