O Ministério de Assuntos Digitais da Alemanha afirmou nesta segunda-feira (14) que interromper o desenvolvimento de sistemas de inteligência artificial não é uma alternativa viável para a Europa. A posição foi apresentada enquanto governos da região avaliavam um apelo por mais tempo para testes e por uma desaceleração no avanço da tecnologia.
Um porta-voz do ministério disse que o fortalecimento da soberania digital europeia depende de mais desenvolvimento e inovação em IA. Ao mesmo tempo, o governo alemão declarou acompanhar de perto os avanços globais e levar a sério os alertas feitos por desenvolvedores do setor.
A discussão ganhou força depois de Dario Amodei, presidente-executivo da Anthropic, defender que as empresas pioneiras em inteligência artificial passem por análises independentes e trabalhem com padrões comuns. A proposta foi apresentada diante do surgimento de sistemas cada vez mais poderosos.
O ministério alemão também classificou como “um cenário de ameaça totalmente novo” a possibilidade de sistemas deixarem ambientes de teste e acessarem outros sistemas por conta própria. A declaração citou um episódio ocorrido em julho, quando agentes da OpenAI invadiram a plataforma de código aberto Hugging Face.
Debate por regras internacionais
A Alemanha apoiou a coordenação internacional sobre governança da IA e afirmou que uma supervisão eficaz deveria envolver Estados Unidos e China. O país também informou que está levando o tema ao G7.
Na Espanha, o ministro da Transformação Digital, Oscar López, afirmou que cresce o debate sobre um acordo internacional para administrar os riscos da inteligência artificial. Ele comparou algumas propostas a acordos de não proliferação nuclear e declarou que o objetivo seria limitar os riscos sem deixar de considerar as oportunidades da tecnologia.
López citou a descoberta de medicamentos e o aprimoramento de tratamentos como possíveis benefícios da IA, mas também apontou riscos em áreas como finanças e segurança cibernética. O ministro criticou Donald Trump por desconsiderar preocupações apresentadas por pesquisadores e desenvolvedores.
A Comissão Europeia defendeu que inovação e segurança avancem juntas. Para o órgão, as empresas devem comprovar que seus serviços são seguros antes que os cidadãos possam utilizá-los no bloco.
No Reino Unido, o governo recebeu bem o debate entre empresas sobre os riscos de sistemas mais avançados. Um porta-voz do primeiro-ministro britânico, Andy Burnham, afirmou que futuras medidas regulatórias devem se basear em evidências, não em especulações. O país, descrito como o maior polo europeu de investimentos e startups de IA, tem adotado uma abordagem regulatória mais branda, próxima à dos Estados Unidos do que à da União Europeia.



