MANAUS — O avanço tecnológico, sozinho, não é suficiente para enfrentar as crises climáticas. A avaliação é de Sandoval Alves Rocha, que defende uma mudança de mentalidade e uma nova sensibilidade de cuidado com o meio ambiente.
Para o autor, durante muito tempo a degradação ambiental associada ao modelo capitalista de produção foi ignorada em nome do crescimento econômico. Os alertas dos movimentos ambientalistas eram deixados de lado porque ouvi-los exigiria equilibrar as demandas produtivas com a disponibilidade de recursos naturais.
Impactos ambientais e sociais
Rocha afirma que a devastação ambiental deixou de ser ocultada. O aumento da temperatura do planeta, as secas mais severas e prolongadas, a intensificação de fenômenos como o El Niño e as enchentes afetam a vida de grande parte da população, segundo a análise.
Entre os efeitos apontados estão a escassez de água, os desastres ambientais, a piora da qualidade de vida nas cidades e o desaparecimento de biomas e da biodiversidade. O autor também critica a permanência de interesses econômicos que, em sua avaliação, resistem a reconhecer a dimensão da crise.
A cultura do consumo ocupa papel central no argumento. Rocha descreve o consumismo como um mecanismo que cria desejos contínuos e promete uma satisfação que nunca se completa. Nesse processo, o cidadão é substituído pelo consumidor, enquanto estratégias de atração comercial estimulam uma busca permanente por produtos.
Tecnologia e responsabilidade
O autor questiona a ideia de que a tecnologia, por si só, assegure um futuro melhor. Para ele, ela não é neutra nem independente dos valores da sociedade que a desenvolve. Uma cultura marcada pelo antropocentrismo, pelo descarte, pela competição e pela agressão ambiental também influencia as tecnologias produzidas.
Como alternativa, Rocha propõe transformar a relação com a natureza e estabelecer limites para o uso dos recursos naturais. O planeta, afirma, precisa de tempo para se regenerar e manter o ciclo da vida.
Sandoval Alves Rocha é doutor em Ciências Sociais pela PUC-RIO, participa da coordenação do Fórum das Águas do Amazonas e é associado ao Observatório Nacional dos Direitos a Água e ao Saneamento (ONDAS). Também é membro da Companhia de Jesus/Jesuítas e professor da Universidade Católica de Pernambuco (UNICAP).




