A possibilidade de a inteligência artificial provocar perdas de empregos, danos sociais e riscos à segurança aproximou, nesta terça-feira (15), duas figuras de posições políticas opostas nos Estados Unidos: o senador Bernie Sanders e Steve Bannon, aliado próximo do presidente Donald Trump. Os dois participaram do mesmo encontro em Washington, em um cenário de preocupação crescente com os efeitos da tecnologia.
Sanders afirmou que os sistemas de IA precisam seguir normas de segurança obrigatórias. O senador, que se define como socialista democrático, alertou que o avanço do setor pode eliminar dezenas de milhões de empregos, extinguir profissões e dificultar o ingresso de jovens no mercado de trabalho. Ele também declarou que a tecnologia pode sair do controle humano e provocar consequências potencialmente catastróficas.
“A ameaça crescente” da IA exige regulamentação com normas de segurança vinculativas, afirmou Sanders.
O senador recebeu aplausos ao criticar executivos de empresas de tecnologia por concentrarem o controle sobre a inteligência artificial. Entre os citados estava Elon Musk, presidente-executivo da SpaceX e ex-assessor de Trump. Sanders também mencionou o risco de uso da tecnologia para criar vírus e desenvolver armas biológicas, com possibilidade de uma pandemia global que poderia matar dezenas de milhões de pessoas.
Divergência sobre a supervisão
Bannon, ex-estrategista da Casa Branca durante o primeiro mandato presidencial de Trump, criticou a postura do governo federal sobre a fiscalização da IA. Em seu podcast na segunda-feira (14), afirmou que o Congresso não deveria aprovar leis que impeçam os Estados de estabelecer regras próprias para a tecnologia. Ele atribuiu às empresas do setor a responsabilidade pela resistência de Trump à regulamentação.
A posição contrasta com a defendida pelo presidente e pelo presidente republicano da Câmara dos Deputados dos Estados Unidos, Mike Johnson. Na segunda-feira (14), Trump minimizou preocupações de líderes do setor sobre o uso indevido da IA e disse que os Estados Unidos já têm medidas de proteção para a tecnologia.
Johnson afirmou nesta terça-feira (15) que uma moratória no desenvolvimento da IA faria o país perder vantagem competitiva para a China. Para ele, as empresas podem criar suas próprias regras. “As empresas não precisam que o governo lhes diga para desacelerar”, disse a jornalistas.
Executivos do setor, entre eles Jensen Huang, presidente-executivo da Nvidia, também defendem que regulamentações não reduzam a capacidade de competição das empresas norte-americanas com as chinesas. Pesquisas recentes apontaram que a maioria dos norte-americanos teme o uso da IA para eliminar empregos, elevar custos para as famílias ou provocar outros danos sociais.
Pressão por novas regras
Jacob Coxon, pesquisador da Anthropic, disse na semana passada que deixou a empresa, em parte, porque “as pessoas que desenvolvem IA acreditam sinceramente que ela pode nos matar a todos até o final da década”.
Andrew Ferguson, presidente da Comissão Federal de Comércio dos Estados Unidos, também questionou nesta terça-feira (15) empresas de IA que buscam isenções antitruste enquanto fazem lobby por novas regulamentações.
Senadores norte-americanos discutem um projeto de lei que impediria os Estados de aplicar regras próprias para determinados riscos de modelos de IA. Tentativas anteriores de limitar leis estaduais sobre o tema fracassaram no Senado dos Estados Unidos.



