Quase metade dos estudantes brasileiros usa chatbots de inteligência artificial ao menos uma vez por semana para realizar tarefas escolares. O índice chega a 48%, acima dos 46% registrados na média da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Mesmo assim, as escolas do país apresentam capacidade menor que a média internacional para incorporar recursos digitais ao ensino.
Os dados fazem parte do Pisa (Programa Internacional de Avaliação de Estudantes) de 2025, divulgado nesta terça-feira (8) pela OCDE. A avaliação reúne estudantes de 15 anos de países e economias participantes. Nesta edição, ciências foi a área escolhida para uma análise mais detalhada, além da coleta de informações sobre o ambiente escolar e o uso de tecnologia.
Integração digital nas escolas
O Indicador de Capacidade Digital das Escolas, elaborado a partir das respostas de diretores, considera cinco aspectos: a existência de uma plataforma de ensino online eficaz; a preparação técnica e pedagógica dos professores; os recursos disponíveis para a formação dos profissionais; os incentivos ao uso de tecnologia; e o tempo reservado para planejar aulas com essas ferramentas.
O indicador não mede apenas a quantidade de computadores ou equipamentos. Sua média internacional é definida em zero. O Brasil marcou -0,86, enquanto a média da OCDE ficou em -0,03. Entre os resultados apresentados, os Emirados Árabes Unidos registraram 0,98, Singapura alcançou 0,91 e o Quênia teve -1,16. Na América Latina, o Chile obteve o maior índice, com -0,61, ainda abaixo da média da organização.
O tempo dedicado à aprendizagem com dispositivos também ficou abaixo do padrão internacional. Estudantes brasileiros relataram usar esses equipamentos por 1,3 hora por dia na escola para aprender, ante 1,7 hora na média da OCDE. Para atividades de lazer, os números foram de 1 hora no Brasil e 1,1 hora entre os países da organização.
Celular e distração em sala
Enquanto a integração pedagógica permanece baixa, aumentou a proporção de alunos matriculados em escolas que proíbem celulares. O percentual passou de 37% em 2022 para 81% em 2025 no Brasil. A política começou em janeiro de 2025 e avançou mais rapidamente que na média da OCDE, onde a proporção subiu de 34% para 49% no período.
A organização considera a proibição uma das medidas mais eficazes contra a distração digital. No conjunto dos países da OCDE, estudantes de escolas que não permitem celulares têm cerca de 13% menos chances de relatar distração durante as aulas.
Nas aulas de ciências, 25% dos estudantes brasileiros disseram se distrair com dispositivos digitais, contra 28% na média da OCDE. Entre os alunos brasileiros que relataram essa distração, o desempenho na disciplina foi, em média, 19 pontos menor. Na média dos países observados, a diferença foi de 11 pontos.



