O crescimento no Instagram depende de mais do que publicar com frequência. As estratégias apresentadas por Alessio Bertozzi e Bryan Fischer, cofundadores do Create Content Club, priorizam a construção dos vídeos, a análise do comportamento do público e a criação de caminhos para transformar visualizações em conversas.
Com uma conta de 442 mil seguidores, Bertozzi e Fischer afirmam ter ajudado clientes a conquistar mais de 3,5 milhões de seguidores e 600 milhões de visualizações. Nat Berman passou de 300 seguidores para 130 mil em três meses e meio usando o método da dupla. Dorie Clark ultrapassou 400 mil seguidores, depois de chegar a 24 mil quatro meses antes. Scott Leese passou de 0 para 85 mil seguidores.
Como estruturar o vídeo
A primeira orientação é criar um gancho em três partes: falado, textual e visual. O primeiro corresponde ao que é dito; o segundo, à frase exibida na tela; e o terceiro, ao que aparece no primeiro segundo. Para Bryan Fischer, os três elementos precisam funcionar juntos: “Se um deles estiver errado, o vídeo não terá um bom desempenho, mesmo que os outros dois sejam ótimos.”
A equipe analisa vídeos de desempenho superior no nicho do criador e em áreas próximas antes de escrever um roteiro. Os ganchos selecionados são mantidos palavra por palavra. Eles também precisam tratar de um problema ou solução abrangente e estar focados no espectador.
Outro ponto é apresentar a solução antes de entregar o conteúdo. Os primeiros cinco ou quinze segundos são considerados decisivos para manter a audiência, e Bertozzi estima uma taxa de fracasso de 99% nesse período. O vídeo deve oferecer um motivo específico para que a pessoa continue assistindo.
Entre as técnicas usadas estão apresentar resultados pessoais, recorrer à aprovação de uma autoridade e reduzir o risco percebido pelo público. A orientação também é eliminar trechos desnecessários: se uma ideia pode ser apresentada em 35 segundos, não deve ocupar 60.
Análise antes da produção
Toda segunda-feira, a equipe seleciona cerca de 30 reels do nicho do criador e de áreas adjacentes. Para cada conta, calcula uma linha de base, descarta os 10% melhores resultados e faz a média dos demais. Um resultado quatro vezes maior que essa referência é considerado um ponto fora da curva e pode indicar um formato que está funcionando naquele mês.
A equipe verifica os comentários antes de imitar um conteúdo. A análise busca identificar se o público que acompanha o vídeo é realmente o desejado. Depois, os melhores textos são organizados em cinco partes: gancho, venda da solução, apresentação do princípio, aplicação prática e chamada para ação.
A chamada lei do mínimo esforço combina formatos que as pessoas já consomem com assuntos que o criador domina. Nat Berman, por exemplo, grava no jardim usando camiseta, algo que faz desde 2018. Sua habilidade de ler um roteiro sem parecer que está lendo orienta o formato de seus vídeos.
Os roteiros devem alcançar um público amplo, mas manter profundidade suficiente para atrair possíveis clientes. O cliente ideal é quem compra; o seguidor dos sonhos é um grupo maior, capaz de ampliar o alcance do conteúdo.
Retenção vale mais que curtidas
Curtidas e comentários não são os principais indicadores de crescimento. O tempo de visualização mostra por quanto tempo as pessoas permanecem no Instagram e ajuda a definir a distribuição do vídeo.
Dois dados recebem atenção especial: a taxa de pulos e o gráfico de retenção. A taxa de pulos indica o desempenho do gancho nos primeiros três segundos. Já a curva de retenção revela os momentos em que a audiência abandona o vídeo.
Um vídeo com poucos pulos no início e uma queda acentuada logo depois pode ter uma boa ideia e um gancho forte, mas apresentar falhas no roteiro. Nesse caso, a orientação é corrigir a parte problemática e publicar o conteúdo novamente. Depois, devem ser observadas as visitas ao perfil, os comentários e as mensagens diretas associadas à palavra-chave solicitada.
O próximo passo depois da visualização
Cada vídeo precisa indicar uma ação específica, como comentar ou enviar uma mensagem direta. Também é necessário que exista alguém para responder às interações. A equipe de Fischer identificou que conteúdos virais conquistaram mais clientes ideais do que conteúdos direcionados nos casos analisados.
Scott Leese obteve 264.000 visualizações em uma conta com 57.000 seguidores e fechou três negócios, totalizando US$ 200.000 em um mês, usando esse método. A recomendação é mostrar o que foi criado e o resultado obtido sem revelar todo o processo.
O crescimento pode demorar. Dorie Clark ganhou cerca de 300 seguidores em quatro meses e meio antes de alcançar um ritmo maior. Seu melhor dia rendeu 12.653 seguidores. A orientação é aproveitar os dias seguintes a um vídeo de sucesso, período em que novas publicações podem ampliar o resultado.
Nat Berman cria, grava e edita um vídeo em cerca de vinte minutos e três vídeos em cerca de uma hora. Ele publica três vídeos por dia e reaproveita os conteúdos no TikTok e no YouTube Shorts, onde está perto de alcançar 50.000 seguidores. Clark também republicou um vídeo no Facebook e ganhou mais de 50.000 seguidores na plataforma.



