Priscyla Laham, presidente da Microsoft no Brasil, construiu a carreira no setor de tecnologia depois de iniciar a trajetória profissional com interesse em marketing e empresas de consumo. O caminho começou após uma recusa em um processo seletivo da Unilever, porque ela não falava inglês. Em seguida, foi escolhida pela IBM, onde fez o primeiro estágio e passou a atuar com tecnologia.
Na IBM, Laham se tornou gestora de produto na área de mainframes, computadores de grande porte usados para processar dados. As mudanças de função e de área, segundo ela, ajudaram a desenvolver a capacidade de adaptação a cenários que se transformam rapidamente.
Mudanças na carreira e no mercado
Há 10 anos, enquanto trabalhava na subsidiária da Microsoft na Argentina, recebeu uma proposta da Meta para retornar ao Brasil. Permaneceu na empresa por um ano e um mês e depois voltou à Microsoft com a possibilidade de disputar a presidência da operação. A promoção ocorreu no começo do ano passado.
A experiência em diferentes áreas também influenciou a forma como Laham conduz o trabalho. O foco atual é entender as mudanças nas preferências dos consumidores, em uma abordagem que combina o conhecimento técnico dos produtos com a leitura do mercado. “Atualmente, tenho também a preocupação de ler as nuances e entender o mercado”, afirma.
Um dos exemplos citados é o Copilot, ferramenta de inteligência artificial da Microsoft. A empresa mantém barreiras e proteções voltadas à segurança das informações dos usuários, mas identificou que muitos clientes corporativos recorriam a outras ferramentas gratuitas. A percepção contribuiu para a defesa de uma versão sem cobrança do Copilot.
Para Laham, oferecer acesso gratuito pode facilitar a adoção da ferramenta por empresas e abrir caminho para a migração a versões pagas. A estratégia está associada ao objetivo de colocar o cliente em primeiro lugar e tornar o Brasil mais competitivo por meio da tecnologia.
A executiva, que tem 50 anos, também afirma que as novas gerações demonstram pressa. Para ela, projetos duradouros exigem alternância entre momentos de aceleração e períodos de consolidação, com uma perspectiva de longo prazo.



