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Recuperação de peças em Portugal revela alcance do desaparecimento de arte sacra no Rio

Banco do Iphan reúne 537 bens desaparecidos no estado, incluindo objetos de igrejas históricas e peças furtadas há décadas.

Recuperação de peças em Portugal revela alcance do desaparecimento de arte sacra no Rio
Foto: Reprodução

A Polícia Judiciária de Lisboa localizou quatro tocheiros monumentais e uma cruz de prata que haviam sido furtados do altar-mor da Igreja Nossa Senhora da Lapa dos Mercadores, no centro do Rio. As peças foram identificadas, entre outros detalhes, pelas iniciais JOC, gravadas pelo ourives e prateiro José de Oliveira Coutinho em objetos produzidos para igrejas e clientes particulares.

A investigação começou após uma denúncia anônima encaminhada ao Fala.BR, órgão da Controladoria-Geral da União (CGU). A Polícia Federal (PF) levou a suspeita à Interpol, que comunicou o caso às autoridades portuguesas. Os objetos estavam em uma loja de Lisboa que reunia características de antiquário e casa de leilões. De acordo com o delegado Marcos Nizio, da Superintendência da PF de Brasília, a polícia portuguesa concluiu que o vendedor não sabia da origem das peças.

Itens desaparecidos

O Banco de Bens Culturais Procurados do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) registra 1.749 bens perdidos no país. O Rio de Janeiro aparece em segundo lugar, com 537 itens. A relação inclui esculturas de anjos, crucifixos de madeira envernizada, arandelas, castiçais dourados e tocheiros.

As esculturas e os crucifixos são do século XIX, enquanto as arandelas são do século XVIII. Parte dos objetos pertence a igrejas do estado. A Igreja da Ordem Terceira de Nossa Senhora do Carmo, fundada em 1755 e fechada há sete anos, tem pelo menos 35 objetos sacros incluídos na lista.

Claudio André de Castro, provedor da Irmandade de Nossa Senhora da Lapa dos Mercadores, afirma que ainda há dezenas de peças desaparecidas. A igreja, sagrada em 1750, teve parte do acervo recuperada em Portugal. Castro calcula que o furto dos objetos do altar tenha ocorrido entre 1947 e meados dos anos 1980. A instituição é tombada desde 1938.

“São peças majestosas, de inestimável valor artístico e histórico”, disse Castro. Segundo ele, a fiscalização dos acervos tombados se tornou mais rigorosa a partir de meados dos anos 1980, com inventários anuais. Atualmente, as peças mais valiosas ficam em uma Casa Forte e são retiradas apenas para cerimônias litúrgicas.

Inventários e registros

O historiador Marcus Monteiro, ex-presidente do Instituto Estadual do Patrimônio Cultural (Inepac) e secretário de Cultura de Nova Iguaçu, relaciona a falta de inventários, no passado, ao desaparecimento de peças. Ele informa que atualmente existem mais de dois mil itens inventariados. O trabalho começou em 2004.

O historiador Thiago Gomide afirma que os furtos de arte sacra envolvem ladrões especializados e compradores interessados. Ele também destaca a concentração histórica de igrejas e irmandades no Rio de Janeiro, que foi capital durante períodos da colônia, do Império e da República.

O Iphan informa que os dados do banco são atualizados por meio de pesquisas em seus inventários e do cruzamento de informações. Por isso, os números são parciais. Sobre a Igreja da Ordem Terceira de Nossa Senhora do Carmo, o instituto diz que diversos bens arrolados foram furtados em um contexto relacionado a obras realizadas na década de 1990.

Texto produzido pela Redação Caderno do Saber com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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