CALDAS NOVAS — O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) pediu à Procuradoria-Geral Eleitoral (PGE) a investigação de Luciano Hang e da Havan por possível assédio eleitoral e abuso de poder econômico. A iniciativa trata de um discurso feito pelo empresário a trabalhadores de uma unidade da rede em Caldas Novas (GO), no qual ele criticou a proposta de encerramento da escala 6×1 e teria feito ameaças veladas aos funcionários.
A notícia de fato eleitoral foi apresentada nesta segunda-feira (31). De acordo com a representação, Hang teria usado o ambiente de trabalho e a relação de dependência dos empregados para transmitir uma mensagem política ligada às eleições de outubro.
O episódio ocorreu em um vídeo gravado em 29 de agosto. Na gravação, o empresário reúne trabalhadores e afirma que a mudança na jornada poderia elevar os custos da empresa e os preços. Ele também diz que, se a jornada fosse reduzida sem alteração salarial, os funcionários precisariam buscar uma segunda ocupação.
Pedidos de investigação
A representação afirma que Hang mencionou a possibilidade de trabalhadores recorrerem a um “subemprego”, sem registro em carteira e sem direitos trabalhistas. Para Lindbergh, a apuração deve considerar não apenas a opinião do empresário sobre uma proposta legislativa, mas também o fato de a fala ter ocorrido diante de empregados reunidos no local de trabalho.
O documento pede a análise do conteúdo integral da gravação, do contexto do encontro, da forma como os funcionários foram convocados e da possível divulgação da mensagem em outras unidades da Havan. Também solicita registros internos da loja, a identificação dos trabalhadores presentes e informações sobre eventuais comunicações corporativas relacionadas ao discurso.
A ação questiona se a estrutura empresarial da Havan foi usada para influenciar politicamente trabalhadores em situação de dependência econômica. Caso sejam confirmados elementos suficientes, Lindbergh pede que seja ajuizada uma ação de investigação judicial eleitoral por abuso de poder econômico, com pedido de inelegibilidade de Luciano Hang por oito anos.
Histórico e manifestação de Hang
A representação também cita uma ação civil pública do Ministério Público do Trabalho em Santa Catarina relacionada às eleições de 2018. Segundo o documento, a Justiça do Trabalho determinou que a Havan e Hang não realizassem propaganda política entre funcionários, não coagissem trabalhadores e não influenciassem suas escolhas eleitorais. O texto ainda menciona condenações trabalhistas posteriores e alegações de pressão política em unidades da empresa.
O vídeo chegou ao conhecimento do Ministério Público do Trabalho, que abriu procedimento para apurar possível assédio eleitoral. A PGE deverá analisar o pedido de Lindbergh Farias e decidir sobre a abertura de investigação e as medidas cabíveis.
Após a circulação do vídeo, Luciano Hang afirmou nas redes sociais que a gravação foi “tirada de contexto” e distorcida. Ele disse que apenas apresentou sua opinião sobre uma pauta em discussão no Congresso e defendeu que mudanças na jornada sejam debatidas com responsabilidade, considerando trabalhadores e pequenos empreendedores.



