MANAUS — A dragagem planejada para o Rio Amazonas pode não impedir a interrupção da navegação de grandes embarcações durante o período de seca, segundo análise de Augusto César Barreto Rocha, professor da Universidade Federal do Amazonas (UFAM). O autor afirma que a operação deverá custar mais de R$ 90 milhões e pode repetir resultados observados em 2024.
Rocha avalia que a redução do nível dos rios deve provocar o transbordo de contêineres próximo a Itacoatiara, no trajeto de navios de cabotagem e de longo curso com destino a Manaus. Na avaliação dele, a medida elevará os custos logísticos e poderá afetar o transporte de cargas.
O autor reconhece mudanças no planejamento da obra em relação a 2023. Segundo ele, a Marinha delimitou a área de atuação com mais cautela, enquanto o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) utilizará equipamento mais apropriado. Ainda assim, Rocha considera provável que permaneçam dois trechos de restrição capazes de impedir a passagem das maiores embarcações.
Para o professor, a dragagem foi planejada sem um estudo prévio suficiente para definir a intervenção mais adequada. Ele defende a realização de uma análise de custo-benefício, método que, conforme sua avaliação, é utilizado na Engenharia Civil e Hidroviária para obras públicas de grande porte.
Rocha também contesta a ideia de que a concessão da hidrovia resolveria o problema. Ele atribui a causa da dificuldade à seca associada ao El Niño e afirma que ainda não há evidências de Engenharia que indiquem uma solução definitiva. Como hipótese, menciona investigar o aprofundamento do canal para reduzir a necessidade de novas dragagens, mas ressalva que não sabe se a alternativa é válida.
O professor afirma que a eficácia da obra poderá ser verificada em 15/11/2026, caso a navegação não seja interrompida. Ele também diz que, em setembro de 2026, terá sido documentada a avaliação de que a dragagem seria inútil se a operação não alcançar o resultado esperado.
Augusto César Barreto Rocha é doutor em Engenharia de Transportes pela COPPE/UFRJ, professor da UFAM e diretor adjunto da Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (FIEAM), responsável pelas Coordenadorias de Infraestrutura, Transporte e Logística.




