A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o registro do Etcamah, medicamento oral destinado a pacientes adultas com câncer de mama avançado ou metastático. A indicação é restrita a tumores com receptor de estrogênio positivo (ER+) e ausência da proteína HER2.
O uso é previsto para mulheres que desenvolveram a mutação genética ESR1 durante o tratamento inicial feito com terapia hormonal associada a inibidores de CDK4/6 por pelo menos seis meses. A definição da terapia depende das características do tumor e do histórico de tratamento de cada paciente.
O princípio ativo do remédio é o camizestranto, integrante de uma nova geração de medicamentos classificados pela Anvisa como degradadores seletivos do receptor de estrogênio. A substância bloqueia esses receptores nas células tumorais e também favorece sua eliminação. Com isso, busca dificultar o crescimento de tumores que utilizam o estrogênio no processo de desenvolvimento.
A indicação considera pacientes que ainda não apresentam sinais de progressão da doença em exames de imagem ou na avaliação clínica, mas já têm a mutação ESR1. Essa alteração pode estar relacionada à resistência a tratamentos hormonais usados anteriormente.
Alteração genética e decisão terapêutica
O ESR1 participa da produção do receptor de estrogênio. Quando sofre alterações, o receptor pode funcionar de maneira diferente, o que pode reduzir a resposta de algumas células tumorais a determinados tratamentos hormonais. A identificação da mutação pode, portanto, integrar a avaliação da estratégia terapêutica.
A escolha do tratamento deve levar em conta o tipo de tumor, suas características moleculares, as terapias anteriores e as condições clínicas da paciente.
Incidência no Brasil
O câncer de mama é o tipo de câncer mais frequente entre as mulheres no Brasil. Dados do Instituto Nacional de Câncer (Inca) apontam mais de 73 mil casos registrados no país entre 2023 e 2025. Esse total representa aproximadamente 30% dos diagnósticos de câncer na população feminina.




