Glaidson Acácio dos Santos, conhecido como Faraó dos Bitcoins, apareceu mais magro durante um depoimento judicial exibido na televisão. Preso há cinco anos, o empresário é julgado ao lado da esposa, Mirelis Yoseline Diaz Zerpa, por suspeitas de crimes contra o sistema financeiro.
A mudança na aparência gerou especulações sobre uso de medicamentos, alimentação na prisão e depressão. Não há, porém, confirmação dessas hipóteses no depoimento. Glaidson afirmou que era uma “baleia” de criptomoedas, termo usado para investidores com ativos suficientes para influenciar preços no mercado.
Acusações contra o casal
Glaidson e Mirelis são acusados de comandar, por meio da GAS Consultoria, um esquema de pirâmide financeira apresentado como investimento em criptomoedas. Autoridades afirmam que o grupo movimentou mais de R$ 38 bilhões e pode ter deixado 77 mil vítimas. Na Justiça, credores cobram quase R$ 3 bilhões.
O empresário também é suspeito de ordenar assassinatos de concorrentes em Cabo Frio, na Região dos Lagos, onde a empresa tinha sede. Durante o depoimento, ele explicou que recebia recursos em espécie de clientes e os transferia para sua carteira de criptoativos.
Mirelis deixou o Brasil em 2021 e foi morar nos Estados Unidos. Foragida, acabou detida pela imigração americana três anos depois e deportada. Ela nega ter administrado a carteira de clientes e afirma que sua função era estudar o mercado para ampliar os ganhos.
Carteira de criptoativos
Uma das questões ainda não esclarecidas no processo é o valor armazenado na carteira de Glaidson. O dispositivo usado para guardar os ativos, uma “cold wallet”, está em um cofre da Polícia Federal. Segundo o empresário, há recursos suficientes para pagar os 77 mil credores.
“A senha, agora de cabeça, eu não sei”, disse Glaidson. A defesa afirma que ele é inocente e que a interrupção dos pagamentos da GAS ocorreu por determinação judicial.



