Arthur Schopenhauer associou a busca por riqueza a uma sede que não termina. Em uma reflexão publicada em 1851, o filósofo escreveu: “A riqueza é como a água do mar; quanto mais bebemos, mais sede sentimos”. Na mesma passagem, acrescentou que o mecanismo também se aplica à fama.
A ideia descreve uma experiência em que a meta financeira muda depois de ser alcançada. Um valor considerado suficiente dá lugar a outro, mais alto, enquanto a sensação de tranquilidade continua distante. Para Schopenhauer, isso não representa necessariamente falta de gratidão ou falha de caráter, mas o funcionamento do desejo.
Vida e obra
Schopenhauer nasceu em 22 de fevereiro de 1788, em Danzig, hoje Gdansk, na Polônia. Filho de um comerciante rico, recebeu uma herança quando o pai morreu, aos 17 anos. Com os recursos, viveu de renda e não dependeu de uma cátedra ou da venda de livros, conforme a Stanford Encyclopedia of Philosophy.
Sua principal obra, O mundo como vontade e representação, foi publicada em 1818 e permaneceu ignorada por décadas. A fama veio em 1851, com Parerga e Paralipomena, coletânea de ensaios que inclui Aforismos para a sabedoria de vida. Schopenhauer morreu em 21 de setembro de 1860, em Frankfurt, onde viveu sozinho por quase trinta anos, acompanhado por uma sequência de poodles.
O sentido da metáfora
O aforismo está no capítulo “Do que alguém tem”, dedicado à relação entre bens e felicidade. O filósofo não rejeitava o dinheiro. Para ele, a riqueza podia ser útil por afastar necessidades e reduzir a dependência em relação a outras pessoas.
A crítica era dirigida à expectativa de encontrar satisfação duradoura no objeto desejado. Na filosofia de Schopenhauer, a vontade é um impulso contínuo que se manifesta como desejo. Quando uma vontade é atendida, outra aparece; por isso, a satisfação dura pouco e a falta volta a ocupar o centro da experiência.
Essa dinâmica também aparece na comparação social, no medo de perder o patrimônio e na rapidez com que bens deixam de parecer novos. A riqueza, segundo o filósofo, é relativa ao que cada pessoa espera, e a expectativa tende a crescer com a posse.
A metáfora não é uma defesa da pobreza nem do desapego absoluto. Schopenhauer viveu de herança, acompanhou seus investimentos e observou que perder uma fortuna pode causar mais sofrimento a quem nasceu rico do que a quem nunca a teve. A proposta é ajustar as expectativas e usar os recursos para reduzir o sofrimento, sem esperar que eles produzam uma satisfação que não podem oferecer.
A frase aparece em Aforismos para a sabedoria de vida, capítulo 3, dentro de Parerga e Paralipomena, volume 1. A tradução brasileira de Jair Barboza preserva também a referência à fama, frequentemente retirada das versões que circulam nas redes sociais.



