A promessa de Flávio Bolsonaro de decretar que “o Brasil é do Senhor Jesus Cristo” caso seja eleito desencadeou uma disputa sobre religião, liberdade de expressão e uso da Justiça Eleitoral. O candidato do Partido Liberal também pediu a retirada de publicações que o associavam à intenção de remover de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil.
A controvérsia ganhou força após um comentário da jornalista Maria Cristina Fernandes na GloboNews. Ela afirmou ter apurado uma reação na Igreja Católica à mobilização de setores evangélicos que, segundo sua informação, defenderiam a retirada do título. Fernandes não disse que Flávio havia apresentado um projeto com esse objetivo nem que a medida integrava seu programa de governo.
A campanha do candidato acionou a Justiça Eleitoral e solicitou a remoção em massa de conteúdos, além de investigações criminais e busca e apreensão. Entre os acionados estavam o humorista Antônio Tabet, um dirigente da Secretaria de Comunicação do governo Lula e autores de publicações que demonstravam simpatia por Nossa Senhora Aparecida.
Decisão judicial e reação do candidato
O ministro André Mendonça determinou a retirada de mais de mil links que relacionavam Flávio ou sua família à intenção de retirar o título de padroeira do Brasil da santa. A campanha tinha o direito de contestar uma atribuição considerada falsa, mas a medida alcançou publicações que misturavam notícia, interpretação política, crítica e expressão religiosa.
Em 27/09, Flávio afirmou, em entrevista, que a alegada fake news havia sido produzida com participação da Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). A GloboNews pediu desculpas pelo comentário de Maria Cristina Fernandes.
A discussão também envolve um projeto apresentado em 2007 pelo então deputado Victorio Galli, hoje filiado ao Progressistas, para retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil. A proposta foi arquivada em 2008. Galli permaneceu próximo à família Bolsonaro e atualmente apoia Flávio.
O candidato nega que exista prova de um plano para retirar o título da santa. A controvérsia, porém, permanece ligada ao alcance de sua promessa religiosa, às alianças políticas e religiosas de sua campanha e à reação judicial contra publicações sobre o tema.




