GOIÁS — A comunidade IA Forense Brasil reúne pesquisadores e profissionais de diferentes regiões do país para desenvolver métodos de identificação e análise de imagens, vídeos, áudios e documentos criados ou modificados com inteligência artificial. A iniciativa faz parte do ecossistema da IA Brasil e tem uma de suas frentes de atuação no estado de Goiás.
O grupo reúne pesquisadores vinculados a instituições como a Universidade Federal de Goiás (UFG), a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e a Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos), além de outros centros de pesquisa.
Capacitação e apoio às eleições
A formação profissional está entre as principais atividades da comunidade. Willard Ribeiro, pesquisador e responsável pela iniciativa, informou que mais de 50 profissionais foram capacitados em IA Forense somente em 2026.
A comunidade também estabeleceu uma parceria com a Justiça Eleitoral para colaborar com análises durante as eleições deste ano. “Mais de 40 peritos em IA Forense da nossa base vai dar suporte nas análises do TSE e TRE local”, afirmou Ribeiro.
A participação deverá envolver a avaliação técnica de materiais que possam ter sido produzidos ou alterados artificialmente e que sejam encaminhados à Justiça Eleitoral durante o processo eleitoral.
A Resolução nº 23.755 do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que trata das Eleições 2026, permite que os tribunais eleitorais façam acordos com universidades, entidades e órgãos que tenham profissionais capacitados em perícia de ilícitos digitais e inteligência artificial.
Regras e análise de conteúdos sintéticos
Para as Eleições 2026, o TSE determinou que propagandas eleitorais com conteúdo multimídia produzido ou alterado por inteligência artificial informem de forma explícita, destacada e acessível que o material foi fabricado ou manipulado. A propaganda também deve indicar a tecnologia utilizada.
A norma prevê ainda restrições para novos conteúdos sintéticos que envolvam imagem, voz ou manifestação de candidatos e pessoas públicas nas 72 horas anteriores e nas 24 horas posteriores ao fim da votação. Em setembro, o TSE definiu critérios para caracterizar deepfake nas Eleições 2026, durante o julgamento de um caso sobre a recriação da imagem e da voz de uma pessoa pública.
O trabalho dos especialistas não se limita a verificar se um arquivo foi totalmente criado por inteligência artificial. A perícia também pode investigar alterações em materiais originalmente verdadeiros, como a substituição de trechos ou a modificação de elementos de imagens, gravações e vídeos.
A comunidade atua em pesquisa aplicada, formação profissional, desenvolvimento de metodologias e avaliação da confiabilidade de evidências digitais. Entre as atividades estão a análise de imagens, vídeos, áudios e textos, além da identificação de deepfakes e outros conteúdos sintéticos.
Para Willard Ribeiro, a formação de especialistas é estratégica diante do crescimento das fraudes relacionadas à inteligência artificial. A rede reúne pesquisadores, peritos, profissionais de tecnologia e especialistas de diferentes áreas para desenvolver conhecimento e aplicações voltadas à autenticação de conteúdos digitais.



