Laudos técnicos emitidos em 05/02 pela SEMASA e pela empresa terceirizada Itajuí apontaram elevada concentração de coliformes fecais, presença de Escherichia coli e cianobactérias na água bruta de Lages. Os documentos também recomendaram o uso emergencial de carvão ativado para a remoção de compostos ligados a gosto e odor, além de metabólitos e toxinas de cianobactérias.
O laudo elaborado pelo engenheiro químico Altherre Branco, da Itajuí, afirma que a condição identificada indica contaminação por matéria orgânica de origem fecal e pode representar risco à saúde pública e à segurança sanitária da população.
Reclamações e declarações
A Rádio Clube de Lages recebeu, ao longo de dez dias a partir de 15 de janeiro, reclamações de moradores sobre a água fornecida pela SEMASA. Os relatos mencionavam coloração escura e eram acompanhados de imagens.
Em 04/02, o diretor técnico da companhia, Luan Casagrande, e a diretora-presidente, Paula Granzotto, foram à emissora para falar sobre o problema. Casagrande atribuiu a mudança na cor e no odor à escassez hídrica associada ao aumento das temperaturas e declarou que “a população pode consumir a água sem problemas”. Paula Granzotto também afirmou que a água era potável e poderia ser consumida normalmente.
Os laudos, emitidos no mesmo período das declarações, apresentam parâmetros divergentes das informações dadas pelos representantes da empresa.
Estoque e compra emergencial
Conforme o documento de justificativa de emergencialidade, Raquel Holtrup Wolff, assessora de Captação e Distribuição de Água, confirmou a recomendação para utilização do carvão ativado. Em relatório, a SEMASA informou que o estoque do insumo estava esgotado, o que poderia levar à paralisação das ações corretivas.
A aquisição emergencial foi formalizada em 13/02. No Diário Oficial do Município, em 13/04, foi publicada a compra do produto em sacas de 25 quilos, pelo valor total de R$ 96 mil.
A SEMASA foi procurada, mas não respondeu até o fechamento. Permaneceram sem esclarecimento questões sobre a disponibilidade de insumos, o conhecimento prévio dos laudos e a comunicação à população sobre eventual risco ou alteração na qualidade da água.




