Gelson Merísio passou a ser considerado uma opção para disputar o governo de Santa Catarina em uma frente ampla de esquerda nas eleições deste ano. A articulação busca ampliar o palanque de Lula no estado e, ao mesmo tempo, abrir caminho para que Décio Lima concorra ao Senado.
A possível entrada de Merísio atende à tentativa dos partidos de atrair nomes de perfil mais moderado para a chapa majoritária. Filiado ao Solidariedade desde 2022, ele ainda precisa viabilizar a candidatura e decidir por qual legenda concorrerá. Há especulações sobre uma mudança para o PSB, partido do vice-presidente Geraldo Alckmin, mas a direção estadual da sigla informou que não houve negociações. O partido afirmou, porém, que o pré-candidato seria bem-vindo.
Merísio já foi deputado estadual e presidiu a Alesc entre 2010 e 2012. Em 2018, venceu o primeiro turno da eleição para o governo com mais de 1,1 milhão de votos, mas acabou derrotado por Carlos Moisés no segundo turno.
A composição com Merísio também alteraria o papel de Décio Lima na aliança. O principal nome do PT em Santa Catarina deixaria a posição central da chapa para disputar uma das vagas ao Senado. Na avaliação interna do partido, a candidatura seria favorecida pela divisão da direita entre Carol De Toni e Carlos Bolsonaro, ambos do PL, e Esperidião Amin, do PP.
Outro possível movimento envolve João Rodrigues. Merísio e o atual prefeito foram colegas de partido no PSD por cerca de oito anos. Nos bastidores, é considerada a possibilidade de aproximação entre uma chapa liderada por Merísio e o projeto de Rodrigues em um eventual segundo turno. A articulação poderia incluir apoio a uma disputa contra Jorginho Mello em 25 de outubro.
A frente de esquerda já havia sondado outros nomes. Paulo Bauer manteve tratativas com a direção estadual do PSB no ano passado, e o partido informou que as conversas continuam. Raimundo Colombo também foi procurado pelos articuladores da federação, mas ainda não apresentou uma resposta definitiva.
Com a eventual candidatura de Merísio, os partidos avaliam que a aliança pode ampliar o apoio a Lula e fortalecer a disputa de Décio Lima ao Senado. O petista chegou a quase 30% no segundo turno de 2022.



