Florianópolis, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
Florianópolis 15°C 15° / 17° Mega-Sena 3064: 4 · 10 · 20 · 25 · 27 · 48
A escola, a ciência e o futuro
Educação

Escola amplia repertório e aproxima estudantes da leitura, diz curadora da Bienal

Solange Petrosino defende experiências de leitura, diversidade de autores e ações escolares para formar novos leitores.

Escola amplia repertório e aproxima estudantes da leitura, diz curadora da Bienal
Foto: Divulgação

A escola tem papel central na formação de leitores, mas essa tarefa envolve mais do que ensinar a decodificar palavras. Para Solange Petrosino, curadora do Espaço Educação da Bienal do Livro de São Paulo, é necessário criar experiências que mobilizem os estudantes e permitam o compartilhamento das leituras.

Leitura além da alfabetização

A diferença entre saber ler e se tornar leitor está entre os pontos destacados pela curadora. A alfabetização, o letramento formal e a fluência são etapas distintas da experiência leitora, que também depende do envolvimento dos estudantes com os textos e da troca com colegas, família e outros espaços sociais.

“Se a gente não proporciona a experiência, o aluno não vai ser um leitor”, afirma Solange. Segundo ela, a escola participa desse processo ao lado da casa e de ambientes como a própria Bienal, que reúne autores, especialistas e iniciativas voltadas à educação.

Antes de desenvolver esse vínculo com os livros, porém, a escola também precisa contribuir para a fluência. O último PISA, avaliação elaborada pela OCDE com mais de 700 mil jovens de 15 anos, registrou índice de leitura de 466. O resultado ficou quase 40 pontos abaixo da média de 2012, primeiro ano de aplicação da avaliação.

Textos ligados aos estudantes

Para Solange, a escolha das obras pode favorecer a aproximação dos alunos. Bons autores podem ser levados à sala de aula, desde que os temas despertem interesse e dialoguem com as realidades das turmas. A educadora também defende a presença de autores periféricos, de diferentes etnias e originários.

“Autores periféricos, de diferentes etnias ou originários” podem ajudar os jovens a se identificar com o que leem, explica a curadora. Ela ressalta, contudo, que a escola não precisa restringir as leituras ao contexto imediato dos estudantes. Obras diferentes de suas experiências também ampliam a visão de mundo e o repertório.

A oferta escolar pode ser especialmente relevante para alunos de nível socioeconômico mais baixo, que nem sempre têm em casa uma variedade de livros. Disponibilizar essas obras na escola, afirma Solange, pode transformar o acesso à leitura.

Um cenário desigual

A movimentação da 28ª Bienal do Livro de São Paulo, realizada até 13 de setembro no Distrito Anhembi, contrasta com os dados nacionais sobre hábitos de leitura. A pesquisa Retratos da Leitura aponta que 53% da população não leu sequer parte de um livro nos três meses anteriores ao levantamento.

Há indicadores positivos no mercado editorial. Levantamento da Câmara Brasileira do Livro mostra que, em 2025, 18% da população com 18 anos ou mais comprou ao menos um livro nos últimos 12 meses. No ano passado, foram vendidos mais de 6,5% de exemplares em relação a 2024, enquanto o faturamento das editoras chegou a R$ 4,5 bilhões no período.

A curadora pondera que o público da Bienal não representa sozinho a realidade do país. O evento ocorre em São Paulo, onde há condições econômicas distintas e benefícios como o Vale-Livro, de R$100, destinado a estudantes, servidores e bibliotecários da rede municipal de ensino.

O Brasil tem 4.691 bibliotecas públicas e comunitárias em atividade. O PNLL, aprovado pelo MEC em conjunto com o MinC em abril deste ano, estabelece entre seus objetivos democratizar o acesso à leitura e prevê elevar em 50% o número dessas bibliotecas até 2036.

A Bienal conta com 269 expositores, e o público estimado ao longo do evento é de mais de 700 mil pessoas. A programação inclui o Espaço Educação, com debates sobre o papel da escola e a formação de leitores.

Texto produzido pela Redação Caderno do Saber com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

Receba nossa newsletterUma seleção diária, direto na sua caixa de entrada.