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Educação

Furtos deixam 109 escolas estaduais do Rio com energia interrompida

Unidades reduziram aulas, suspenderam atividades e substituíram refeições enquanto tentam recuperar instalações elétricas antes das eleições.

Furtos deixam 109 escolas estaduais do Rio com energia interrompida

Pelo menos 109 escolas da rede estadual do Rio de Janeiro ficaram sem energia elétrica neste ano após furtos de cabos. Algumas unidades passaram até dez meses nessa situação. O problema reduziu o período de aulas, interrompeu projetos pedagógicos e afetou o preparo e o armazenamento de alimentos.

A proximidade das eleições aumentou a pressão sobre a Secretaria de Educação do estado (Seeduc), já que muitas das escolas atingidas serão usadas como locais de votação ou como estruturas de apoio à Justiça Eleitoral. Em ofício encaminhado na última semana ao Ministério Público do Rio, a pasta pediu apoio e afirmou que a situação também interfere na preparação da infraestrutura necessária para o pleito.

No Ciep 168 Ilda Silveira Rodrigues, em Nova Iguaçu, estudantes passaram a depender da claridade que entra pelas janelas. Em dias nublados, usam as lanternas dos celulares para acompanhar as aulas. A unidade está sem iluminação elétrica há um mês, desde o furto dos cabos.

O período integral, que antes começava às 7h e terminava às 16h30, foi reduzido. Agora, os alunos deixam a escola às 11h30. O ensino noturno passou para o formato remoto, projetos que dependiam de tecnologia foram interrompidos e o almoço deixou de ser servido porque a escola não consegue armazenar os ingredientes necessários.

“Essa falta de luz prejudica muito a gente, porque não dá para aprofundar as matérias com o pouco tempo que temos para cada disciplina”, disse Larissa Rodrigues, estudante do 1º ano do ensino médio, de 17 anos.

Impacto na alimentação e nas aulas

O Ciep 498 Irmã Dulce, em Itaguaí, também adotou horários reduzidos depois de ficar cerca de dez meses sem energia. O furto ocorreu ainda em 2025. Um gerador permitiu o encerramento daquele ano letivo, mas a escola voltou a ficar sem luz no período escolar seguinte. Conforme o relato da mãe de uma aluna, alguns estudantes deixaram a unidade por preocupação com a preparação para o vestibular.

Na maioria das escolas afetadas, as refeições foram trocadas pela chamada merenda fria emergencial. No Ciep 336 Octavio Malta, em Campo Grande, na Zona Oeste do Rio, a falta de energia durou sete meses após o furto de cabos. Uma ligação provisória feita a partir da clínica de saúde vizinha fornecia iluminação básica, mas não mantinha geladeiras e freezers funcionando.

Em uma visita realizada em junho, o cardápio previa iscas de carne ao sugo, chuchu refogado, arroz, feijão-carioca e fruta. Sem condições de preparar e conservar os alimentos, a refeição foi substituída por pão de forma com margarina, achocolatado e melancia. Documento interno da Superintendência de Gestão das Regionais Administrativas alertou para perdas nutricionais associadas à retirada de proteínas, leguminosas e hortaliças. A energia da unidade foi restabelecida em 27 de julho.

Para Teca Pontual, diretora-executiva do Instituto João e Maria Backheuser e especialista em gestão educacional, a ausência de iluminação, internet, recursos para o planejamento e alimentação adequada prejudica a aprendizagem.

Concentração dos casos

Mais da metade das escolas afetadas está na Baixada Fluminense. Nova Iguaçu concentra 21 unidades atingidas, seguida por Duque de Caxias, com 17, e Belford Roxo, com 10. São Gonçalo registra 13 casos, e a capital, 12.

O Colégio Estadual Guadalajara, em Caxias, foi alvo de três furtos em cerca de um ano. Desde a primeira ocorrência, a eletricidade funciona parcialmente, limitada a um dos prédios, onde as aulas são realizadas. No furto mais recente, foram levados ventiladores, aparelhos de ar-condicionado, fiação e torneiras dos banheiros.

A Seeduc calcula em aproximadamente R$ 9,9 milhões o prejuízo provocado por furtos e roubos de cabos. No Ciep 433 Togo Renan Soares Kanela, em Campo Grande, a recuperação do sistema elétrico foi orçada em mais de R$ 130 mil.

A rede municipal também registrou ocorrências. Nos oito primeiros meses do ano, 40 escolas notificaram furtos ou roubos com danos à rede elétrica e efeitos sobre o funcionamento. A Prefeitura do Rio informou que não há, atualmente, registro de escolas municipais sem energia.

Ações de recuperação e investigação

A Secretaria de Educação estadual criou uma força-tarefa para recuperar os sistemas elétricos. De acordo com a pasta, três escolas permanecem totalmente sem energia e outras 26 funcionam com fornecimento parcial.

A Polícia Civil mantém a operação Caminhos do Cobre, voltada à cadeia criminosa ligada aos furtos. Em dois anos, foram feitas mais de 430 fiscalizações em ferros-velhos, e cerca de 200 responsáveis foram presos. A corporação afirma que a ação também procura localizar receptadores e outros integrantes das redes criminosas.

Texto produzido pela Redação Caderno do Saber com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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